Série narrada pelo historiador Bóris Fausto e que, por meio de documentos e imagens de arquivo, traça um panorama político, social e econômico do País, desde os tempos coloniais até os dias atuais. A série é composta, ainda, de entrevistas com algumas personalidades que ajudaram a escrever essa história.
Esse blog tem a finalidade de falar de tudo um pouco,cotidiano,política,música,História,filosofia,etc.
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sábado, 17 de março de 2012
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Somos todos bandeirantes!

Na Revolução de 1932, todo paulista foi identificado com os antigos desbravadores. Sua missão: provar a superioridade do estado e salvar o Brasil.
A figura do bandeirante paira como uma entidade sobre São Paulo: está nos monumentos, nos nomes de ruas e logradouros públicos, nas escolas, clubes e estabelecimentos comerciais. A Rodovia dos Bandeirantes une a capital a pontos do interior. A Raposo Tavares (tal como seu homenageado) leva ainda em direção às missões do Tape e Itatim, enquanto a Fernão Dias serpenteia como que à procura das minas de esmeralda e das montanhas das Gerais. Atravessa-se o poluído Tietê pela Ponte das Bandeiras.
Do modernista Monumento às Bandeiras no Ibirapuera, de Vítor Brecheret, à kitsch estátua de Borba Gato, na antiga Estrada de Santo Amaro, não lhes faltam louvações. As homenagens começaram ainda no século XVIII, quando cronistas como Frei Gaspar da Madre de Deus e Pedro Taques de Almeida Paes Leme enalteceram a figura do bandeirante e suas conquistas heróicas. O crescimento econômico da província viria na segunda metade do século XIX, com a expansão da produção cafeeira.
Mas essa transformação não provocou mudanças na esfera política. A elite paulista continuava à margem do poder decisório, centrado na capital do Império, o Rio de Janeiro. Por isso, ela aderiu ativamente ao movimento republicano, defendendo mais autonomia para os estados. As camadas dirigentes paulistas recorriam à história para justificar seu direito a uma maior participação política. Para eles, desde o início da colonização os habitantes de Piratininga tinham sido responsáveis pela ampliação do território nacional, enriquecendo a metrópole com o ouro que encontraram em regiões distantes do litoral e levando a civilização para os mais longínquos rincões da América, transformados por eles em possessão portuguesa.
Graças à integração territorial que promoveram, os bandeirantes eram tidos como fundadores da unidade nacional. Representavam, por um lado, a lealdade ao estado de São Paulo. Por outro, a lealdade ao Brasil.O advento da República (1889) também não trouxe para São Paulo o poder que suas lideranças desejavam conquistar. E elas continuaram investindo na valorização de seu passado. Historiadores do século XX, como Afonso d’ Escragnolle Taunay, Alfredo Ellis Jr. e Alcântara Machado, dedicaram-se a realçar diferentes aspectos das bandeiras. Taunay seguiu o roteiro das expedições pelo território, Ellis Jr. apontou o surgimento de um povo superior (a raça Planaltina) e Alcântara Machado estudou as condições econômicas e sociais do século XVI.
Mas a oportunidade para o bandeirante emergir como verdadeiro símbolo capaz de solucionar os conflitos que desafiavam a nação surgiu na crise da virada dos anos 1930. O movimento militar de 1930, liderado por Minas e Rio Grande do Sul, derrubou o presidente Washington Luis, representante da oligarquia paulista, e alçou ao poder Getúlio Vargas. Contrariados, grupos políticos de São Paulo formaram a Frente Única, apelando para a luta armada pela volta ao regime constitucionalista. Em 9 de julho de 1932, lançaram-se em combates para a derrubada do governo Vargas.
Para convencer a sociedade de que desafiava a ditadura em nome da unidade nacional, nada melhor do que resgatar o velho mito. Os bandeirantes voltam ao centro dos discursos políticos. Com suas virtudes já consolidadas — coragem, audácia, honradez e rigor moral — um símbolo capaz de congregar o povo paulista. No recrutamento dos cidadãos para pegar em armas, convinha omitir a divisão de classes e os interesses de grupos. Uma causa maior se levantava, e ela tinha o irresistível apelo de um herói histórico.Na Faculdade de Direito, os alto-falantes convocavam para o combate, bradando: “São Paulo de Borba Gato, São Paulo de Anhanguera...”. Generalizações eram bem-vindas na chamada à luta: Nação, Nacionalidade, Civilização, Liberdade, Tradições Paulistas.
Durante o movimento, foi cunhada a expressão “paulista de quatrocentos anos”, pela qual as famílias mais antigas cultuavam sua ancestralidade e acreditavam pertencer a uma raça privilegiada. Mas para a guerra era preciso estender o privilégio aos imigrantes, negros e índios. Afinal, dos 7 milhões de habitantes que então povoavam São Paulo, menos da metade podia se orgulhar de descender dos colonizadores. A partir daquele momento, por paulista não se entendia mais somente o indivíduo nascido e criado no estado, mas todo aquele que para lá se transferiu, que se fixou em suas terras, que lá vivia e trabalhava.
Bandeirantes eram todos os que dispunham a lutar pelo estado e pelo Brasil, todos os que pudessem contribuir para a vitória. Era preciso tirar o país da ilusão ditatorial e fazer com que a nação brasileira trilhasse novamente os caminhos da democracia. A mesma alma altiva de Piratininga depositava ante o Brasil seu ouro, seu heroísmo e o sangue dos seus filhos. O hino “Ser Paulista”, de autoria do sargento B. João Pedroso, foi um dos muitos compostos durante a guerra: “Para frente Paulistas/ valorosos Bandeirantes/ Que dos tempos passados/ Têm conquistas/ E feitos brilhantes”.
O paulista em 1932 era como o sertanista do século XVII, que enriqueceu a monarquia portuguesa. Agora, ele doava seu “ouro para o bem de São Paulo”. Era o que afirmava o “Jornal das Trincheiras”, fartamente distribuído nas áreas de combate e no Rio de Janeiro. Ao narrar a epopéia de um célebre bandeirante, no artigo “Estirpe do Anhangüera”, o jornal declara que a “chama da civilização” agora era levada adiante pelo soldado constitucionalista.Um dos exemplos mais expressivos dessa campanha está no expediente do jornal “O Separatista”, apresentado assim: "Diretor: Fernão Dias Paes Leme. Redator Chefe: Antônio Raposo Tavares. Secretário Geral: Cap. Luís Pedroso de Barros”.
A Revolução de 1932 também não dispensou a força das imagens. Bandeirantes ilustravam toda uma sorte de papéis avulsos, volantes, cartazes, cartões e até partituras musicais que convocavam à luta. Ora apareciam empunhando a bandeira de São Paulo, ora acenando aos jovens, ora segurando a caricatura de Getúlio Vargas, como a esmagá-lo. O olhar firme e o porte sereno refletiam a bravura do sertanista, sempre vestido com os trajes com os quais os artistas da época o tinham representado: botas de cano alto, gibão, colete e, infalivelmente, o chapelão de abas largas que emoldurava um rosto barbado e de cabelos longos.
No poema “Minha terra, minha pobre terra”, Ibrahim Nobre, um dos mais conhecidos tribunos da Revolução, expressa com clareza a imagem que os paulistas tinham de si mesmos, desde que os primórdios da colonização:Terra Paulista! Da tua carne massapé e honesta, do teu ventre de mãe fecundo e são, veio a alma que realizou a nacionalidade, imprimindo-lhe o sentido da Independência e os rumos católicos da civilização. De ti proveio o Homem que confrontou a natureza peito a peito e que a venceu e a dominou a facão e a fé!A guerra culminou com a derrota paulista, em 28 de setembro de 1932.
Mas o mito não morreu. O imaginário do bandeirante torna heróico o cotidiano duro do homem de São Paulo e constrói uma identidade ao mesmo tempo coletiva e individual. O paulista se alimenta dessa mitologia para elaborar sua própria imagem, criando uma alegoria de igualdade, se não física, pelo menos moral, que acaba disfarçando os conflitos de classe. Em São Paulo, todos são herdeiros dos desbravadores do sertão.
Katia Maria Abud é professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo e autora da tese O sangue intimorato e as nobilíssimas tradições: a construção de um símbolo paulista: o bandeirante (FFLCH-USP, 1986)
Saiba Mais - Bibliografia:BORGES, Vavy Pacheco. Memória Paulista. São Paulo, Edusp, 1997.
PAULA, Jeziel De. 1932 Imagens Construindo a História. Campinas, Editora da UNICAMP/Piracicaba, Editora da Unimep, 1998.
QUEIROZ, Maria Isaura Pereira de. Ufanismo paulista: vicissitudes de um imaginário. Revista USP, 13: p. 79-87; mar-abr-mai 1992.
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Elixir do mundo moderno
Fruto exótico em sua origem africana, o café se tornou um produto cobiçado, sinônimo de luxo e elegância
Escrito por: Ana Luiza Martins
“Segure uma xícara exalando o aroma de um bom café e você estará com a História em suas mãos!” Não há exagero neste ditado. Um simples gole dessa bebida estimulante nos leva a uma imensa cadeia de produção, embalada em muita aventura e ousadia, e ao exotismo do Oriente. O conteúdo renovador desta infusão transformou-a na segunda bebida mais consumida no mundo, só perdendo para a água.
Sua trajetória do Oriente para o Ocidente é narrada por meio de histórias fantásticas, disputas ferrenhas, consagrando a bebida como um dos motores da sociedade moderna. O milenar percurso de suas sementes, que atravessaram continentes e mares, faz lembrar o lugar onde tudo começou. A fruta vermelha que nasce da flor branca do pé de café foi descoberta por volta do ano de 525 no interior da Etiópia.
Já a primeira referência alusiva ao uso comestível do café está em manuscritos do Iêmen, de 575, que revelam a Lenda de Kaldi. Reza a lenda que um pastor de cabras da Etiópia observou o efeito excitante que as folhas e os frutos de determinado arbusto produziam em seu rebanho. Os animais que mastigavam a planta subiam as montanhas com agilidade e apresentavam mais resistência. Kaldi experimentou seus frutos, confirmando os dotes estimulantes, e seu consumo se disseminou pela região.
Os etíopes se alimentavam de sua polpa doce, por vezes macerada, ou misturada em banha, para refeição. E produziam um suco que, fermentado, se transformava em bebida alcoólica. As folhas também eram mastigadas ou utilizadas no preparo de chá. A infusão do fruto – quando se mergulha em água fervente uma substância para obter dela outra –, porém, ocorreria mais tarde, a partir do ano 1000, com as cerejas fervidas em água, para fins medicinais. Mas a bebida só adquiriu forma e gosto como a conhecemos hoje no século XIV, com a torrefação. (...)
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Arquivos do Futebol

A internet preserva parte importante da memória do futebol brasileiro. Renato Venâncio revela os vídeos e documentos guardados online sobre a grande paixão nacional.
A história do Brasil do século XX, em grande medida, é a história do futebol. O futebol contribuiu para auto-estima de nossa gente, além de possibilitar a ascensão social de milhares de brasileiros pobres. Mais ainda, o esporte bretão gerou a imagem do herói popular e da “pátria de chuteiras” – na expressão de Nelson Rodrigues – como responsabilidade de talentosos afrodescendentes, em uma sociedade que durante séculos foi escravocrata e racista.
Com certeza, porém, nem tudo são flores nos gramados futebolísticos. A maioria dos jogadores, tanto no passado quanto no presente, ganha salários miseráveis. Os que ascendem socialmente, e eventualmente se tornam milionários do dia para noite, são frequentemente extorquidos por uma corte parasitária, formada em grande parte pelas midiáticas marias-chuteiras. Além dessas mazelas, a história brasileira da corrupção administrativa, da exploração e da trapaça, em muito é tributária de expressiva parcela de dirigentes de clubes e de empresários do ramo futebolístico.
Para o bem ou para o mal, não há como negar que o futebol tem muita história para contar. Apesar disso, as ações para se preservar a memória do esporte ainda são raras. O Museu do Futebol desenvolve um trabalho pioneiro. As instituições arquivísticas propriamente ditas, aparentemente, ainda não recolhem arquivos pessoais de jogadores brasileiros. Essa memória documental - constituída por cartas, anotações, fotografias, recortes de jornais etc -, salvo para um ou outro caso, em grande parte foi perdida.
O historiador interessado no tema conta com outros tipos de fontes documentais. A impressa futebolística praticamente nasceu junto ao futebol. O site da “Coleção Linhares” disponibiliza exemplares de jornais bastante antigos, como “O Foot-Ball”, de 1917, ou então a “Gazeta Esportiva”, de 1927 .Através de milhares de páginas de outros periódicos desta coleção é possível conhecer os primeiros passos, ou chutes, de nossos atletas dos gramados.
Outra fonte igualmente importante é o portal da FIFA, que reproduz vídeos de excelente qualidade. As origens dos jogos de bola também são contempladas com detalhadas análises. Quem gosta de estatísticas se deliciará nesse site. Além disso, é possível efetuar buscas livres, como no caso da pesquisa a respeito de “Garrincha”.No Brasil, há a Futpédia. Outro acervo fenomenal é o do antigo canal de televisão Tupi, com centena de vídeos a respeito do futebol, referentes em sua maioria à década de 1960, devendo-se clicar no lado direito do mause para ver as opções de zoom e tela cheia. E, para quem considerada o futebol uma forma de arte, vale a pena conhecer as geniais pinturas de Rubens Gerchman.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
As "coquettes" de Copacabana

No Rio do século XIX, elegância era seguir a moda francesa. Por mais calorenta e desconfortável que fosse. Lastex, náilon, helanca, lycra, jérsei, suplex. Será que as mulheres do calçadão de Ipanema dão o devido valor aos trajes de banho e às roupas esportivas que tanto realçam as curvas do corpo? Mal sabem as “gatinhas” de hoje o quanto suas bisavós sofreram no início do século XIX, usando malhas de lã em plena Praia de Copacabana.
A primeira moda que claramente se impôs no Brasil foi a francesa, a partir da chegada da família Real Portuguesa, em 1808. Os nobres já conheciam as tendências européias e sabiam que, quando o assunto era requinte no vestuário, os franceses estavam sempre um passo à frente. Assim, a nova classe emergente brasileira também deveria “entrar na linha” – o que já então significava comportar-se com civilidade.
E a moda era um indicativo dessa postura.A Rua do Ouvidor, no Centro do Rio de Janeiro, foi a primeira a concentrar lojas francesas. As que não eram legítimas afrancesavam seus nomes: Madame Dupeyrat (coletes), Madame Estoueigt (alta-costura), Madame Coulon (camisaria), Madame Douvizi (chapéus femininos) e Madame Rozenvald (florista).
Ao longo do século XIX, muitos outros profissionais da moda se estabeleceram no “beco de luxo”, como era chamada a rua, o endereço mais chique da cidade, espremida entre o Largo de São Francisco e a Rua do Ourives. Ficavam ainda na Rua do Ouvidor a famosa Notre Dame de Paris, o maior magazine da cidade, a Sapataria do Cadete e a Casa Doll, que vendia camisas masculinas.Os termos e a definição das peças do vestuário também seguiam o vocabulário francês. Incluíam de négligé-chambre e peignoir (trajes femininos para serem usados em casa) a gilet de soirée (o sobretudo dos homens).
Mesmo no alto verão sobre o asfalto da Avenida Central, atual Rio Branco, os cavalheiros não abriam mão do veston (tipo de jaqueta) ou do redingote (casaco cruzado com três botões). Sem falar nas polainas, inspiradas nos sapatos do século XIV.A palavra “maiô” só chegaria mais tarde, nos anos de 1930. Existem duas versões para a sua origem. O termo pode ter vindo de maillol, uma tira de tecido que envolvia as crianças, ou pode ter se inspirado no Senhor Maillot, que no início do século XIX confeccionava malhas inteiriças em lã e seda para facilitar os movimentos dos bailarinos.
A francofilia carioca chegava a tal ponto que a primeira coluna de moda do Jornal do Brasil, publicada em 1896, não foi escrita em português! A colaboradora Marguerite Saint Gene fazia jus ao nome e redigia na língua de Napoleão. Não importava que a temperatura na Rua do Ouvidor fosse oposta à das avenidas européias – as cariocas refinadas não podiam deixar de ler os conselhos da “Causerie parisienne” (“Bate-papo parisiense”). Somente dois anos após sua estréia, a coluna passou a ser escrita em português, ainda que as dicas sobre “o que usar” continuassem importadas. “Vestem saias compridas, amplas, cheias de subsaias, sungadas a mão. Mostram cinturinhas de marimbondo, os traseiros em tufo, ressaltados por coletes de barbatanas de ferro, que descem quase um palmo abaixo do umbigo.
Todas de cabelos longos, enrodilhados no alto da cabeça e sobre os quais se equilibra um chapéu que, para não fugir com o vento, fica preso a um grampo de metal em forma de gládio curto, com um cabozinho enfeitado de madrepérola ou pedras de fantasia. Usam, como fazendas, o surah, o faille, o chamalote, o tafetá e o merino; calçam botinas de cano alto, de abotoar ou presas a cordão, o infalível leque de seda ou gaze na mão, sempre muito bem enluvada”. Era assim que se apresentavam as moças que transitavam pelo Rio, particularmente no Largo da Carioca e na Rua Gonçalves Dias, na minuciosa descrição do jornalista e memorialista Luiz Edmundo (1878-1961).
Mas certas estratégias de embelezamento, hoje comuns, eram evitadas na época. O mesmo cronista parecia assombrado com as donzelas que não usavam pintura nos olhos, nos lábios ou no rosto, receosas de comprometer sua imagem pública. “As mulheres cariocas são figuras de marfim ou cera, visões pálidas evadidas de um cemitério. Quando passam em bandos lembram uma procissão de cadáveres. Diz-se pelas igrejas que é pecado pintar o rosto, que Nossa Senhora não se pintava”.
Essa aparência fantasmagórica era agravada pelo fato de as mulheres brasileiras serem branquíssimas. Evitavam pegar sol para não parecerem pobres trabalhadoras braçais. Quando iam à praia, chegavam nas primeiras horas da manhã e não permaneciam por muito tempo. E ainda usavam o crème brise éxotique – vendido na Éxotique de Paris, mas também encontrado no Centro do Rio.
O emplastro prometia manter a pele alva e aveludada.Em 1886, em uma das quatro vezes que veio ao Brasil, a famosa atriz francesa Sarah Bernhardt (1844-1923) chocou as cariocas com um estranho hábito: deu um mergulho depois das sete da manhã. Será que os médicos não haviam alertado a diva do teatro mundial que fazia mal se banhar naquele horário e depois ficar sentada na areia, olhando o horizonte, pensativa? Demorou um pouco, mas a ousadia de Bernhardt acabou sendo absorvida pela sociedade.
Em 1917, o decreto 1.143 do prefeito Amaro Cavalcanti (1849-1922) alterou o horário permitido de exposição ao sol. A partir daquela data, ficaram reservados dois períodos na orla de Copacabana: das 5h às 8h e das 17h às 19h, com uma hora adicional nos domingos e feriados.
Com oito artigos, o decreto apontava também a necessidade de “apresentar-se com vestuário apropriado na praia, guardando a necessária decência e compostura”. Além disso, nada de “ruídos e vozerias” na areia e no mar. Punição para os transgressores: multa de 20 mil-réis ou cinco dias de prisão. Charges e desenhos de moda publicados nos jornais daquele início do século XX parecem ainda mais divertidos hoje, graças às legendas que identificam as tendências da moda da época. Como os enormes chapéus, que “faziam vítimas” no teatro.
“Que há agora en scena?”, pergunta um homem tentando enxergar o que acontecia no palco. O amigo, que também não conseguia ver o que se passava, responde: “Um duetto: o tenor deve estar cantando do lado das plumas e a primadonna, do lado das fitas”.Logo abaixo dos chapéus, outro valioso recurso feminino: os penteados. A nova tendência era ser original nesse quesito. Cada mulher inventava sua composição, o que rendia estruturas estranhíssimas, em forma de avenida, palácio, cabana, cumeeira e pagode – não o musical, claro, mas o templo asiático.
Por outro lado, a virada do século trouxe novas formas de abordar os modismos femininos. Começava a surgir certa preocupação com o conforto. As saias ficaram mais amplas, flutuantes, e não mais entravées (justas). Um desenhista de uma das grandes casas de Paris apresentou seus últimos modelos, considerados ousados demais: mulheres vestidas como bailarinas. “Estarão dispostas a submeterem-se a semelhante ridículo?”, perguntava-se.
Desde 1881, o grupo londrino Rational Dress Society (algo como Sociedade das Vestimentas Racionais) vinha defendendo a abolição dos verdadeiros instrumentos de tortura que dominavam a moda daqueles tempos. A começar pelo espartilho, que apertava os seios e a cintura a ponto de provocar mal-estar e até abortos. Também eram condenáveis os saltos altos e o excesso de peso das roupas de baixo, que não deveriam passar de três quilos e meio. Roupas práticas, como as bloomers (calças usadas pelas mulheres turcas), eram ideais para quem quisesse andar de bicicleta com mais conforto e menos risco: antes disso, os vestidos compridos causavam sérios acidentes ciclísticos na orla ainda não asfaltada do Rio.
Em nome da liberdade pregada por aquelas pioneiras, as gerações do século XXI podem respirar. Expandem seus movimentos de maneira harmônica e confortável. E se, uma vez ou outra, as mulheres ainda optam por um modelito de sutiã com ferrinhos ou por um espartilho de couro, sabem que não se trata mais de objetos de tortura, mas de estratégias para valorizar a sensualidade feminina. Esta nunca sai de moda.
Rose Esquenazi é jornalista e professora da Faculdade de Comunicação da PUC-Rio.
Saiba Mais - Bibliografia: CALLAN, Georgina O’Hara. Enciclopédia da moda: de 1840 à década de 90 (Companhia das Letras, 2007).
RAINHO, Maria do Carmo. A cidade e a moda, novas pretensões, novas distinções: Rio de Janeiro, século XIX (UnB, 2002).
SABINO, Marco. Dicionário da Moda (Campus/Elsevier, 2006).
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Quem tem boca vai à forca

Tiradentes era um orador incansável: dos prostíbulos às pousadas de beira de estrada, fez da palavra sua grande arma. Que ele arrancava dentes, é fácil de se imaginar. Mas a habilidade de Joaquim José da Silva Xavier que realmente causava arrepios nas autoridades portuguesas era outra: ele falava pelos cotovelos. E falava bem.
Antes de se tornar o “mártir da Independência”, Tiradentes foi um exímio comunicador: persuasivo, incansável e – talvez seu traço mais relevante – sem preconceito de público. Onde houvesse concentração de gente e pontos de encontro propícios à conversa, lá estava ele.
Em 1789, João Rodrigues, dono de uma estalagem em Varginha, no caminho que ligava os centros mineradores ao Rio de Janeiro, foi chamado a prestar depoimento no inquérito sobre a Inconfidência Mineira. Motivo: tempos antes ele hospedara o alferes Silva Xavier. A hospedagem em si não lhe teria causado maiores problemas, se o famigerado falastrão não tivesse começado a expor, de modo exaltado, seu descontentamento político.
O estalajadeiro contou aos juízes uma conversa que tivera com outro hóspede após a passagem de Tiradentes: “Vossa Mercê não sabe que há por cá valentões que se querem levantar com a terra? [...] Era um semiclérigo”. O termo usado pelo depoente não era apenas irônico, mas altamente simbólico. Ao desvendar o lado “semiclérigo” de Tiradentes, ele não só confirma que seu hóspede falava demais (como um padre em pregação), como deixa claro que o hábito de falar em tom de convencimento estava ligado à atuação dos representantes da Igreja.
Tanto a tradição lusitana quanto a história da capitania do ouro comprovam o desempenho de religiosos na fomentação de motins junto à gente miúda, como na Restauração Portuguesa de 1640, quando Portugal se separou da Espanha após 60 anos da União Ibérica, e nos Furores Sertanejos de 1736, uma série de motins deflagrados contra a cobrança do imposto da capitação, no norte de Minas. Nessas ocasiões, os padres foram duplamente importantes: souberam alimentar o debate com discursos de convencimento e ajudaram a transportar as insatisfações populares (geralmente limitadas ao âmbito oral) para o contexto da escrita.
Na sociedade colonial, os relacionamentos eram marcados pela oralidade. A troca de idéias, as polêmicas e as críticas ao governo ocorriam basicamente em conversas, que se tornavam públicas por meio de boatos e murmúrios. Nesses momentos, os religiosos, acostumados ao púlpito, lançavam mão de sua oratória. E Tiradentes, ao agir como um “semiclérigo”, ecoava seu discurso com a mesma eficácia.
Na sociedade colonial, os relacionamentos eram marcados pela oralidade. A troca de idéias, as polêmicas e as críticas ao governo ocorriam basicamente em conversas, que se tornavam públicas por meio de boatos e murmúrios. Nesses momentos, os religiosos, acostumados ao púlpito, lançavam mão de sua oratória. E Tiradentes, ao agir como um “semiclérigo”, ecoava seu discurso com a mesma eficácia.
Tiradentes trafegava com desenvoltura pelo submundo da Colônia, em ambientes especialmente favoráveis à divulgação de propostas ousadas. Tavernas e prostíbulos eram os locais por excelência para tramas envolvendo fugas de escravos, negociatas ilícitas e ações subversivas. Afinal, ali se reuniam todas as gentes: homens brancos, escravos, libertos, vadios e militares, principalmente os de baixa patente.
No inquérito da Inconfidência Mineira, uma testemunha afirmou ser público que o alferes “andava falando por tavernas e quartéis”. Outra, que ele “pretendia excitar uma sedição e motim nesta capitania, chegando o seu desaforo a andar convidando sócios até pelas tavernas”. Uma terceira, que andara “por casa de várias meretrizes, a prometer prêmios para o futuro, quando se formasse nesta terra uma república”.
Três meretrizes a quem Tiradentes teria feito promessas chegaram a depor no inquérito. Eram mãe e duas filhas, identificadas, preconceituosamente, como “pilatas” – segundo o historiador Tarquínio J. B. de Oliveira, o termo remetia a pia de água benta, “onde todos botam a mão”. As mulheres pediram a Joaquim José que ajudasse um irmão das duas meninas a “sentar praça de soldado na tropa paga”. O conjurado teria lhes respondido que “deixassem estar, que brevemente se lhe assentaria praça, porque ele, dito alferes, estava para ser um grande homem”.
Mas a “pregação” de Tiradentes não se limitou ao submundo. Transitava pelas ruas de Vila Rica (atual Ouro Preto), visitava residências de sujeitos proeminentes e repartições públicas. Freqüentou, especialmente, o primeiro piso da residência de João Rodrigues de Macedo, onde funcionava um cartório. Macedo era um poderoso comerciante e arrecadador de impostos. Por sua casa passava diariamente um grande número de pessoas, por conta de pendências fiscais ou para o acerto de taxas do comércio.
Era a mais imponente construção civil da cidade, um ponto de encontro e comunicação que atraía grandes comerciantes, mineradores e “homens bons” da região. Tudo indica que naquela casa ocorreram encontros secretos entre alguns inconfidentes. Mas muitos tópicos da opinião pública eram também discutidos às claras, sem nenhuma reserva ou sigilo, e por pessoas alheias ao movimento rebelde.
O valor da derrama (cobrança de impostos atrasados relativos à exploração do ouro) circulou de boca em boca por meio dos cálculos de Vicente Vieira da Mota, funcionário do cartório. Grande parte das informações dadas pelo tenente-coronel Basílio de Brito Malheiro, um dos denunciantes da conjuração, foi recolhida no local. E Tiradentes pronunciou ali alguns de seus discursos políticos para quem quisesse ouvir.A complexidade do espaço urbano de Minas era suficientemente grande para criar diferenciações simbólicas entre os lugares de convivência.
Isto fica claro em relação a tavernas e prostíbulos, sobre os quais pairava o estereótipo: seus freqüentadores eram tidos como pessoas de menor qualidade, desregradas ou criminosas. E enquanto a casa do cartório reunia homens poderosos e benquistos pela sociedade, a ponte que a margeia era vista com reserva. Para Basílio de Brito Malheiro, as pessoas que ali conversavam não possuíam boas qualidades, “porque na dita ponte não costumava ajuntar-se gente séria”.
Tiradentes alugava casa próxima aos dois pontos de encontro.Andou também pelos pousos e estradas do Caminho do Rio (ou Caminho Novo). Este trajeto, que ligava as vilas mineiras ao litoral carioca, dois dos principais pólos econômicos da América portuguesa, era a rota terrestre mais transitada da Colônia. Notícias e informações circulavam por seus caminhos, refazendo o amplo circuito de comunicação dos viandantes.
Tão logo soube das desordens em Minas, o vice-rei Luís de Vasconcelos e Sousa advertiu para o perigo de que, “pela vizinhança e relação contínua de comércio, se possa comunicar [de Minas para o Rio] este tão grande mal”. As palavras de Tiradentes parecem ter sido ali transmitidas e retransmitidas como tentáculos. A impressão que se tem pela leitura do processo contra os inconfidentes é que seria impossível uma só pessoa ter conversado tanto tempo, com tantos interlocutores, em tantos lugares diferentes.
São pousos, fazendas, estalagens, ranchos de abrigo do sol, registros fiscais e muitos outros locais a servir de cenário para as confabulações do alferes. Uma testemunha afirmou ter ouvido dizer que o militar “havia falado a quase todos os moradores da estrada do Rio de Janeiro, como era constante”. Outro contemporâneo soube que Tiradentes, enquanto viajava para a capital da Colônia, “tomou a sua conta ir semeando alguns discursos suasórios [persuasivos] das conveniências deste país”. O alferes comunicava publicamente suas indignações e sua inquietação, “alargando-se e convidando algumas pessoas, a quem persuadia dos seus intentos, e a quem se encaminhavam aqueles discursos”.
Essas práticas motivaram intensos burburinhos. Uma voz pública passou a veicular “as notícias gerais das liberdades e despropósitos que o mencionado alferes viera espalhando desde o Rio de Janeiro – onde tinha residido por largos tempos – por toda a estrada”. A elaboração anônima dos boatos se encarregou de fazer chegar suas mensagens a lugares por onde ele não conseguira passar. Um “ouvir dizer” irrefreável espalhou-se pelos caminhos.Às margens das estradas, as estalagens e pousadas constituíam um meio-termo entre os ambientes rurais e urbanos da Colônia. Viviam da pujança comercial que interligava as regiões do Brasil, abrigando toda sorte de gente. Tropeiros, caixeiros e negociantes constituíam a clientela principal, mas nelas também pernoitavam pessoas alheias ao comércio: funcionários públicos, fazendeiros, mineradores, militares ou simples viandantes.
Pobres e ricos se esbarravam no mesmo estabelecimento, embora o preço da estada e da alimentação fosse sacrificante para os primeiros. Sabe-se que em uma de suas viagens Tiradentes esteve acompanhado de Antônio de Oliveira Lopes, um paupérrimo medidor de terras que não podia pagar sua própria hospedagem. Joaquim José supria as contas do companheiro, bebendo com ele um cálice de vinho ou aguardente e aproveitando a ocasião para praguejar contra a miséria de Minas e a ladroagem dos governadores. Na mesma estalagem hospedava-se ainda um moço do Serro não identificado, miserável e “muito mal tratado, porque conduzia um saco às costas e vinha descalço”.
Na cidade ou na estrada, no submundo ou entre os poderosos, a trajetória de Tiradentes está intimamente ligada à força da oralidade na sociedade colonial. O que nos coloca diante de uma questão atualíssima: ainda hoje uma nação constituída, em grande parte, de analfabetos ou semi-analfabetos, o Brasil continua a ter sua história construída por meio de falas e murmúrios. Para melhor nos enxergarmos como nação, convém apurar os ouvidos.
Pobres e ricos se esbarravam no mesmo estabelecimento, embora o preço da estada e da alimentação fosse sacrificante para os primeiros. Sabe-se que em uma de suas viagens Tiradentes esteve acompanhado de Antônio de Oliveira Lopes, um paupérrimo medidor de terras que não podia pagar sua própria hospedagem. Joaquim José supria as contas do companheiro, bebendo com ele um cálice de vinho ou aguardente e aproveitando a ocasião para praguejar contra a miséria de Minas e a ladroagem dos governadores. Na mesma estalagem hospedava-se ainda um moço do Serro não identificado, miserável e “muito mal tratado, porque conduzia um saco às costas e vinha descalço”.
Na cidade ou na estrada, no submundo ou entre os poderosos, a trajetória de Tiradentes está intimamente ligada à força da oralidade na sociedade colonial. O que nos coloca diante de uma questão atualíssima: ainda hoje uma nação constituída, em grande parte, de analfabetos ou semi-analfabetos, o Brasil continua a ter sua história construída por meio de falas e murmúrios. Para melhor nos enxergarmos como nação, convém apurar os ouvidos.
Tarcísio de Souza Gaspar é professor substituto da Universidade Federal de Viçosa, historiador da Prefeitura Municipal de Ouro Preto e autor da dissertação “Palavras no chão: murmurações e vozes em Minas Gerais no século XVIII” (Rio de Janeiro: UFF, 2008).
Saiba Mais - Bibliografia:
FURTADO, João Pinto. O manto de Penélope – história, mito e memória da Inconfidência Mineira de 1788-9. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
NEVES, Guilherme Pereira das. “Murmuração”. In: Ronaldo Vainfas (dir). Dicionário do Brasil Colonial (1500-1808). Rio de Janeiro: Objetiva, 2001; p. 416-7.
RAMOS, Donald. “A voz popular e a cultura popular no Brasil do século XVIIII”. In: Maria Beatriz Nizza da Silva (org.) Cultura Portuguesa na Terra de Santa Cruz. Lisboa: Estampa, 1995, p. 137-155.
SOUZA, Laura de Mello e. Norma e Conflito: aspectos da história mineira no século XVIII. Belo Horizonte: UFMG, 2006.
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quinta-feira, 24 de setembro de 2009
SEMANA DE ARTE MODERNA DE 1922
A Semana de Arte Moderna ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo, em 1922, tendo como objetivo mostrar as novas tendências artísticas que já vigoravam na Europa. Esta nova forma de expressão não foi compreendida pela elite Paulista, que era influenciada pelas formas estéticas europeias mais conservadoras. O idealizador deste evento artístico e cultural foi o pintor Di Cavalcanti.
Em um período repleto de agitações, os intelectuais brasileiros se viram em um momento em que precisavam abandonar os valores estéticos antigos, ainda muito apreciados em nosso país, para dar lugar a um novo estilo completamente contrário, e do qual, não se sabia ao certo o rumo a ser seguido.
No Brasil, o descontentamento com o estilo anterior foi bem mais explorado no campo da literatura, com maior ênfase na poesia. Entre os escritores modernistas destacam-se: Oswald de Andrade, Guilherme de Almeida e Manuel Bandeira. Na pintura, destacou-se Anita Malfatti, que realizou a primeira exposição modernista brasileira em 1917. Suas obras, influenciadas pelo cubismo, expressionismo e futurismo, escandalizaram a sociedade da época. Monteiro Lobato não poupou críticas à pintora, contudo, este episódio serviu como incentivo para a realização da Semana de Arte Moderna.
A Semana, na verdade, foi a explosão de ideias inovadoras que aboliam por completo a perfeição estética tão apreciada no século XIX. Os artistas brasileiros buscavam uma identidade própria e a liberdade de expressão; com este propósito, experimentavam diferentes caminhos sem definir nenhum padrão. Isto culminou com a incompreensão e com a completa insatisfação de todos que foram assistir a este novo movimento. Logo na abertura, Manuel Bandeira, ao recitar seu poema Os sapos, foi desaprovado pela plateia através de muitas vaias e gritos.
Embora tenha sido alvo de muitas críticas, a Semana de Arte Moderna só foi adquirir sua real importância ao inserir suas idéias ao longo do tempo. O movimento modernista continuou a expandir-se por divulgações através da Revista Antropofágica e da Revista Klaxon, e também pelos seguintes movimentos: Movimento Pau-Brasil, Grupo da Anta, Verde-Amarelismo e pelo Movimento Antropofágico.
Todo novo movimento artístico é uma ruptura com os padrões utilizados pelo anterior, isto vale para todas as formas de expressões, sejam elas através da pintura, literatura, escultura, poesia, etc. Ocorre que nem sempre o novo é bem aceito, isto foi bastante evidente no caso do Modernismo, que, a principio, chocou por fugir completamente da estética europeia tradicional que influenciava os artistas brasileiros.
FONTE: http://www.suapesquisa.com/
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
HINO NACIONAL SOB CHUVA DE BOMBAS

Em plena Catedral de Pisa, na Itália, a FEB (Força expedicionária brasileira) cantando o Hino Nacional, a todo vapor, resiste bravamente sob intenso bombardeio sem perder o tom. Muitos artistas poderiam seguir o exemplo dos pracinhas sem cometer tantas gafes ao cantar o hino...
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
BRASIL NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
Durante o Estado Novo (1937 – 1945), o governo brasileiro viveu a instalação de um regime ditatorial comandado por Getúlio Vargas. Nesse mesmo período, as grandes potências mundiais entraram em confronto na Segunda Guerra, onde observamos a cisão entre os países totalitários (Alemanha, Japão e Itália) e as nações democráticas (Estados Unidos, França e Inglaterra). Ao longo do conflito, cada um desses grupos em confronto buscou apoio político-militar de outras nações aliadas. Com relação à Segunda Guerra Mundial, a situação do Brasil se mostrava completamente indefinida. Ao mesmo tempo em que Vargas contraía empréstimos com os Estados Unidos, comandava um governo próximo aos ditames experimentados pelo totalitarismo nazi-fascista. Dessa maneira, as autoridades norte-americanas viam com preocupação a possibilidade de o Brasil apoiar os nazistas cedendo pontos estratégicos . A preocupação norte-americana, em pouco tempo, proporcionou a Getúlio Vargas a liberação de um empréstimo de 20 milhões de dólares para a construção da Usina de Volta Redonda. No ano seguinte, os Estados Unidos entraram nos campos de batalha da Segunda Guerra e, com isso, pressionou politicamente para que o Brasil entrasse com suas tropas ao seu lado. Pouco tempo depois, o afundamento de navegações brasileiras por submarinos alemães gerou vários protestos contra as forças nazistas. Dessa maneira, Getúlio Vargas declarou guerra contra os italianos e alemães, em agosto de 1942. Politicamente, o país buscava ampliar seu prestígio junto ao EUA e reforçar sua aliança política com os militares. No ano de 1943, foi organizada a Força Expedicionária Brasileira (FEB), destacamento militar que lutava na Segunda Guerra Mundial. Somente quase um ano depois as tropas começaram a ser enviadas, inclusive com o auxílio da Força Aérea Brasileira (FAB). A principal ação militar brasileira aconteceu principalmente na organização da campanha Italiana,em Monte Castelo, onde os brasileiros foram para o combate ao lado das forças estadunidenses. Nesse breve período de tempo, mais de 25 mil soldados brasileiros foram enviados para a Europa. Apesar de entrarem em conflito com forças nazistas de segunda linha, o desempenho da FEB e da FAB foi considerado satisfatório, com a perda de 943 homens.
Por: Rainer Sousa
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sexta-feira, 4 de setembro de 2009
COM OS PÉS NA COLÔMBIA E OS OLHOS NO BRASIL
EUA: com os pés na Colômbia e os olhos no Brasil
Os EUA querem manter um papel protagonista no mundo e, para tanto, tentam expulsar a China da África e impedir uma aliança entre Rússia e Europa Ocidental. Essas duas grandes estratégias estão fracassando, daí a necessidade de garantir que a América Latina seja sua zona de influência exclusiva. A presença militar na Colômbia é um passo nesta direção, mas o verdadeiro alvo de Washington na região é o Brasil, país com maior poder relativo da região. A análise é dos cientistas políticos argentinos Marcelo Gullo e Carlos Alberto Pereyra Mele.
Agencia Periodística del Mercosur
Data: 30/08/2009
Nos centros de planejamento do traçado estratégico dos Estados Unidos sabe-se que passou o tempo da potência única e global. Para enfrentar a União Européia, China e Rússia, Washington quer assegurar o controle da América Latina. Para isso precisa “acabar” com o Brasil. As possibilidades de resistência na região, o papel da Unasul e outras iniciativas de integração – esses pontos foram de uma entrevista exclusiva à Agencia Periodística del Mercosul, concedida pelos cientistas políticos especialistas e geopolítica, Marcelo Gullo (autor dos livros “Argentina-Brasil: a grande oportunidade” e “A insubordinação fundadora. Breve história da construção do poder das nações”) e Carlos Alberto Pereyra Mele, do Centro de Estudos Estratégicos Sulamericanos.
Para Gullo, o interesse geopolítico dos Estados Unidos consiste em atrasar o processo de passagem da condição de potência global para a de uma potência regional. A crise que atingiu o país, acrescenta, não é conjuntural, mas sim estrutural, porque, pela primeira vez desde 1970, ocorreu uma dissociação entre os interesses da alta burguesia norte-americana e os do Estado. A partir da década de 80, as indústrias estadunidenses, buscando pagar salários mais baixos, foram para a Ásia para produzir para o mercado interno norte-americano, alimentando assim um processo de desindustrialização dentro do próprio território. “Isso gerou um enorme processo de desemprego. Esse seria o eixo conceitual da crise financeira global, deixando os EUA desindustrializado, sem empregos suficientes e com 40 milhões de pobres”, diz Gullo.
E acrescenta: “Os EUA querem manter um papel protagonista e, para tanto, tentam expulsar a China da África e impedir a aliança entre Rússia e Europa Ocidental. Essas duas grandes estratégias estão fracassando, daí a necessidade de colocar um pé na Colômbia, um passo para que a América Latina seja sua zona de influência exclusiva”.
Os EUA, lembra, só produzem 15% da energia que consome e a América Latina provê 25% de suas necessidades em matéria de recursos. Pereyra Mele assinala que “a Colômbia é um país bioceânico, é vizinho do país (Venezuela) que vende 15% do petróleo consumido pelos EUA e também do Equador, outro país petroleiro. Desde as bases navais de Málaga e Cartagena de Índias, Washington tem rápido acesso ao maior ponto de comunicação comercial do mundo, o canal do Panamá”. Na mesma direção, Gullo observa que a importância geopolítica da Colômbia para os EUA se expressa tanto no plano tático como no estratégico.
Do ponto de vista tático, ele assinala: “o complexo militar necessita criar focos bélicos para justificar a produção e renovação de material bélico. Sem tal esquema, esse aparato não tem como justificar sua existência”. E do ponto de vista estratégico, “o objetivo é conseguir a capitulação do poder nacional brasileiro; para isso, procura traçar um cerco em volta do Brasil, começando na Colômbia e com a idéia de continuar pela Bolívia e pelo Paraguai”.
Nesse marco, a América Latina é obrigar a reforçar seus acordos regionais, como Unasul, Comunidade Andina de Nações e Mercosul, para evitar fraturas e controlar as turbulências domésticas (como o golpe de Estado em Honduras), que possibilitem a expansão das forças armadas dos EUA na região. Para Pereyra Mele, “a solução ao problema colocado pela ofensiva estadunidense sobre a América do Sul passa pela defesa irrestrita das áreas por onde fluem e se conectam os três sistemas hidrográficos mais importantes: o Orinoco, a Amazônia e o Prata”.
“Para isso devem ser desenvolvidas políticas internacionais coerentes, levando em conta as limitações colocadas pela potência hegemônica. É muito importante aprofundar o Mercosul, aumentar a presença da Unasul e dos organismos de defesa regionais. É necessária a criação de um complexo industrial militar argentino-brasileiro para melhorar nossa capacidade de defesa, sem dependência externa, incorporando outros países”, conclui Pereyra Mele.
Para Marcelo Gullo, a América a conforma uma comunidade cultural única. “Lamentavelmente, do ponto de vista político, a região está dividida em duas. De um lado México, América Central e o Caribe, zona de influência exclusiva dos EUA, e de outro a América do Sul”.
A respeito dessa última reflexão, talvez pudesse se acrescentar que o ódio sistemático dos poderes estadunidenses à Revolução Cubana pode ser explicado pelo fato de esta ter sido a única experiência concreta de freio à hegemonia de Washington sobre as regiões Norte, Central e Caribenha da América Latina. Diante disso, conclui Gullo, “a responsabilidade principal é do Brasil, por ser o país com maior poder relativo da região. O problema é que a classe dirigente brasileira não compreende adequadamente que, para resistir à agressão dos EUA, precisa de sócios fortes e não fracos. Devem compreender que o importante não é sua industrialização isolada, mas sim a industrialização de toda a América do Sul”.
As mudanças de política militares que Barack Obama prometeu em sua campanha presidencial até agora não apareceram. A menos que alguém queira que o caráter identitário passa exclusivamente pela pigmentação da pele, nem que sequer podemos dizer que um afroamericano chegou à presidência. Para além do discurso, Obama solicitou ao Congresso dos EUA a aprovação de 83,4 bilhões de dólares em fundos extras para financiar as aventuras bélicas no Iraque e no Afeganistão, avança com a instalação de novas bases militares na Colômbia e manteve uma posição mais do que ambígua em relação ao golpe de Estado em Honduras.
O orçamento do Pentágono é 50 vezes superior ao total de gastos militares do conjunto de países do sistema internacional. Além disso, realiza os maiores investimentos, em nível mundial, em pesquisas militares e espaciais. Essa disponibilidade de recursos permite aos EUA agir de forma simultânea com ingerências bélicas em diferentes áreas do planeta.
Tradução: Katarina Peixoto
Os EUA querem manter um papel protagonista no mundo e, para tanto, tentam expulsar a China da África e impedir uma aliança entre Rússia e Europa Ocidental. Essas duas grandes estratégias estão fracassando, daí a necessidade de garantir que a América Latina seja sua zona de influência exclusiva. A presença militar na Colômbia é um passo nesta direção, mas o verdadeiro alvo de Washington na região é o Brasil, país com maior poder relativo da região. A análise é dos cientistas políticos argentinos Marcelo Gullo e Carlos Alberto Pereyra Mele.
Agencia Periodística del Mercosur
Data: 30/08/2009
Nos centros de planejamento do traçado estratégico dos Estados Unidos sabe-se que passou o tempo da potência única e global. Para enfrentar a União Européia, China e Rússia, Washington quer assegurar o controle da América Latina. Para isso precisa “acabar” com o Brasil. As possibilidades de resistência na região, o papel da Unasul e outras iniciativas de integração – esses pontos foram de uma entrevista exclusiva à Agencia Periodística del Mercosul, concedida pelos cientistas políticos especialistas e geopolítica, Marcelo Gullo (autor dos livros “Argentina-Brasil: a grande oportunidade” e “A insubordinação fundadora. Breve história da construção do poder das nações”) e Carlos Alberto Pereyra Mele, do Centro de Estudos Estratégicos Sulamericanos.
Para Gullo, o interesse geopolítico dos Estados Unidos consiste em atrasar o processo de passagem da condição de potência global para a de uma potência regional. A crise que atingiu o país, acrescenta, não é conjuntural, mas sim estrutural, porque, pela primeira vez desde 1970, ocorreu uma dissociação entre os interesses da alta burguesia norte-americana e os do Estado. A partir da década de 80, as indústrias estadunidenses, buscando pagar salários mais baixos, foram para a Ásia para produzir para o mercado interno norte-americano, alimentando assim um processo de desindustrialização dentro do próprio território. “Isso gerou um enorme processo de desemprego. Esse seria o eixo conceitual da crise financeira global, deixando os EUA desindustrializado, sem empregos suficientes e com 40 milhões de pobres”, diz Gullo.
E acrescenta: “Os EUA querem manter um papel protagonista e, para tanto, tentam expulsar a China da África e impedir a aliança entre Rússia e Europa Ocidental. Essas duas grandes estratégias estão fracassando, daí a necessidade de colocar um pé na Colômbia, um passo para que a América Latina seja sua zona de influência exclusiva”.
Os EUA, lembra, só produzem 15% da energia que consome e a América Latina provê 25% de suas necessidades em matéria de recursos. Pereyra Mele assinala que “a Colômbia é um país bioceânico, é vizinho do país (Venezuela) que vende 15% do petróleo consumido pelos EUA e também do Equador, outro país petroleiro. Desde as bases navais de Málaga e Cartagena de Índias, Washington tem rápido acesso ao maior ponto de comunicação comercial do mundo, o canal do Panamá”. Na mesma direção, Gullo observa que a importância geopolítica da Colômbia para os EUA se expressa tanto no plano tático como no estratégico.
Do ponto de vista tático, ele assinala: “o complexo militar necessita criar focos bélicos para justificar a produção e renovação de material bélico. Sem tal esquema, esse aparato não tem como justificar sua existência”. E do ponto de vista estratégico, “o objetivo é conseguir a capitulação do poder nacional brasileiro; para isso, procura traçar um cerco em volta do Brasil, começando na Colômbia e com a idéia de continuar pela Bolívia e pelo Paraguai”.
Nesse marco, a América Latina é obrigar a reforçar seus acordos regionais, como Unasul, Comunidade Andina de Nações e Mercosul, para evitar fraturas e controlar as turbulências domésticas (como o golpe de Estado em Honduras), que possibilitem a expansão das forças armadas dos EUA na região. Para Pereyra Mele, “a solução ao problema colocado pela ofensiva estadunidense sobre a América do Sul passa pela defesa irrestrita das áreas por onde fluem e se conectam os três sistemas hidrográficos mais importantes: o Orinoco, a Amazônia e o Prata”.
“Para isso devem ser desenvolvidas políticas internacionais coerentes, levando em conta as limitações colocadas pela potência hegemônica. É muito importante aprofundar o Mercosul, aumentar a presença da Unasul e dos organismos de defesa regionais. É necessária a criação de um complexo industrial militar argentino-brasileiro para melhorar nossa capacidade de defesa, sem dependência externa, incorporando outros países”, conclui Pereyra Mele.
Para Marcelo Gullo, a América a conforma uma comunidade cultural única. “Lamentavelmente, do ponto de vista político, a região está dividida em duas. De um lado México, América Central e o Caribe, zona de influência exclusiva dos EUA, e de outro a América do Sul”.
A respeito dessa última reflexão, talvez pudesse se acrescentar que o ódio sistemático dos poderes estadunidenses à Revolução Cubana pode ser explicado pelo fato de esta ter sido a única experiência concreta de freio à hegemonia de Washington sobre as regiões Norte, Central e Caribenha da América Latina. Diante disso, conclui Gullo, “a responsabilidade principal é do Brasil, por ser o país com maior poder relativo da região. O problema é que a classe dirigente brasileira não compreende adequadamente que, para resistir à agressão dos EUA, precisa de sócios fortes e não fracos. Devem compreender que o importante não é sua industrialização isolada, mas sim a industrialização de toda a América do Sul”.
As mudanças de política militares que Barack Obama prometeu em sua campanha presidencial até agora não apareceram. A menos que alguém queira que o caráter identitário passa exclusivamente pela pigmentação da pele, nem que sequer podemos dizer que um afroamericano chegou à presidência. Para além do discurso, Obama solicitou ao Congresso dos EUA a aprovação de 83,4 bilhões de dólares em fundos extras para financiar as aventuras bélicas no Iraque e no Afeganistão, avança com a instalação de novas bases militares na Colômbia e manteve uma posição mais do que ambígua em relação ao golpe de Estado em Honduras.
O orçamento do Pentágono é 50 vezes superior ao total de gastos militares do conjunto de países do sistema internacional. Além disso, realiza os maiores investimentos, em nível mundial, em pesquisas militares e espaciais. Essa disponibilidade de recursos permite aos EUA agir de forma simultânea com ingerências bélicas em diferentes áreas do planeta.
Tradução: Katarina Peixoto
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quarta-feira, 2 de setembro de 2009
ANARQUISTAS EM SÃO PAULO
Na virada do século 20, o Brasil havia se tornado o novo lar de cerca de 1 milhão de italianos. Fugindo de uma severa crise econômica no país natal, a grande maioria chegava para tentar a sorte nas fazendas do interior paulista ou nas fábricas de São Paulo. Alguns, entretanto, atravessavam o oceano Atlântico com uma outra missão: difundir o anarquismo. Enquanto seus conterrâneos sonhavam em enriquecer, os imigrantes anarquistas queriam mesmo era derrubar o capitalismo. Como sabemos hoje, eles não conseguiram. Mas deixaram aos trabalhadores brasileiros uma lição importantíssima: sem organização e luta, ninguém conquista seus direitos.
A palavra “anarquia” vem do grego e significa, literalmente, “sem governo”. A ideia de viver sem ter que obedecer a alguém talvez seja tão antiga quanto a própria obediência. Mas foi só em meados do século 19 que o anarquismo se tornou uma corrente de pensamento. Conforme a indústria se desenvolvia na Europa, essa ideologia se espalhava entre os trabalhadores. No Brasil, a industrialização era novidade , e os anarquistas italianos queriam, desde o começo, contagiar o operariado daqui com suas ideias revolucionárias.
Um desses anarquistas foi Oreste Ristori. Ele desembarcou no porto de Santos, no litoral paulista, em 1904, depois de uma rápida passagem pela Argentina. Nascido 30 anos antes, na região da Toscana, ele passara um bom tempo nas cadeias de seu país. O motivo foi seu envolvimento com ações como o incentivo a greves e a distribuição de panfletos contra a autoridade do Estado. A vinda ao Brasil era uma ótima oportunidade para fazer tudo isso de novo.
Ristori seguia os passos de um ex-companheiro de prisão: o também anarquista Gigi Damiani, que chegara a São Paulo em 1897. Naquele início de século, vários militantes da causa já estavam estabelecidos na capital paulista. Seu principal campo de atuação eram os bairros operários, como o Brás, a Mooca e o Belém, onde viviam e trabalhavam milhares de imigrantes. Submetidos a jornadas exaustivas, que muitas vezes alcançavam 16 horas por dia, os operários da indústria paulistana formavam o público ideal para o discurso anarquista. Segundo ele, os operários de todos os países deviam lutar, juntos, contra a opressão. Trabalhar para um patrão, obedecer a um governante, confessar-se a um padre: tudo isso acabaria quando o anarquismo conquistasse sua vitória.
Os donos das grandes indústrias paulistas sabiam que, cedo ou tarde, teriam que enfrentar as greves de operários, já comuns na Europa. Antecipando-se a isso, eles passaram a dar preferência a mulheres e crianças na hora da contratação. Além de ganhar menos, eles eram considerados mais fáceis de ser controlados. Mas isso de nada adiantaria para conter o movimento que estava por vir.
Os ideais anarquistas circulavam em diversos panfletos e jornais. Muitos deles eram escritos diretamente em italiano. Esse era o caso de La Battaglia, o periódico que Oreste Ristori e Gigi Damiani fundaram, ao lado de outros anarquistas, em 1904. Impresso em São Paulo, ele muitas vezes cruzava as fronteiras do estado. Ristori costumava viajar para divulgar o La Battaglia, percorrendo o interior paulista, o sul de Minas Gerais e o Rio de Janeiro. Sua fama de grande orador precedia sua chegada. Sério, bradava contra a opressão dando baforadas no cachimbo. Mas, ao fim de cada discurso, Ristori se descontraía: arrumava um violão e abria uma roda para entoar cantos revolucionários.
Influenciados pelos italianos, os brasileiros também produziam periódicos anarquistas. Em 1905, Edgard Leuenroth botou nas ruas o jornal Terra Livre, feito em parceria com o português Neno Vasco. O editorial do primeiro número dizia: “Tomamos o nome de anarquistas libertários porque somos inimigos do Estado. Somos anarquistas porque queremos uma sociedade sem governos”.
Outro veículo importante para a propaganda anarquista eram peças de teatro, com textos vindos da Europa ou escritos aqui mesmo. A crítica social estava por todos os lados. E as peças anticlericais mostravam a Igreja defendendo os interesses do capitalismo explorador, disse o anarquista Jaime Cubero à pesquisadora Endrica Geraldo, da Universidade Estadual de Campinas, num depoimento dado em 1994. O palco preferido para essas montagens, que ocorriam semanalmente, era o Teatro Colombo, que ficava no Brás.
A disseminação das ideias anarquistas também acontecia nas salas de aula. Numa época em que o governo brasileiro mantinha pouquíssimas instituições de ensino, surgiram as chamadas Escolas Modernas. Inspiradas no método do anarquista espanhol Francisco Ferrer y Guardia, elas misturavam meninos e meninas (então uma inovação), defendiam o fim dos exames e dos castigos e, principalmente, uma educação científica, em oposição ao ensino religioso.
A primeira escola moderna de São Paulo, a Escola Nova, foi criada no Brás em 1909. Na década seguinte, outras surgiram na capital, no interior e em outros Estados. “A ignorância era vista como um dos principais inimigos dos anarquistas”, diz a historiadora Edilene Toledo, autora do livro Anarquismo e Sindicalismo Revolucionário. “Estender a ciência aos pobres significava prepará-los para construir a sociedade futura.”
Em 1905, em boa parte graças à luta dos anarquistas, foi criada a Federação Operária de São Paulo, que reunia as associações de trabalhadores da cidade. Em abril do ano seguinte, o Rio de Janeiro recebeu o 1º Congresso Operário Brasileiro, encontro que é considerado a origem do sindicalismo no Brasil. Lá foram erguidas bandeiras como o fim do trabalho infantil e a diminuição da jornada de trabalho para oito horas diárias.
Reunidos no Rio, os anarquistas tiveram oportunidade de traçar planos para o futuro. O resultado não demorou a aparecer: no dia 1º de maio de 19O7, eclodiu a primeira greve geral da história do Brasil. Os primeiros a parar foram os metalúrgicos da empresa americana Lidgerwood, que exigiam redução da jornada de trabalho. Operários de diversas áreas foram paralisando suas atividades e fazendo reivindicações semelhantes.
A reação das autoridades viria 14 dias depois, com a polícia invadindo a sede da Federação Operária. Documentos foram apreendidos e militantes que haviam participado da greve foram presos. Para punir os que eram imigrantes, o governo tinha uma nova arma: a recém-aprovada Lei Adolpho Gordo, que previa a extradição dos operários estrangeiros envolvidos com tumultos. Apenas no ano de 1907, cerca de 130 trabalhadores foram expulsos do Brasil.
A greve, que durou até meados de junho, conseguiu fazer com que muitas empresas adotassem as oito horas de trabalho. Mas a repressão fez com que anarquistas como Oreste Ristori se afastassem da militância, temendo ser presos. Foi só dez anos depois da greve geral que o Brasil voltou a ver uma manifestação operária de grandes proporções. Por causa da crise no comércio exterior causada pela Primeira Guerra, iniciada em 1914, os preços aumentavam, os alimentos sumiam das prateleiras e os salários diminuíam. Enquanto isso, os patrões voltaram a esticar as jornadas de trabalho.
Em junho de 1917, os 2 mil empregados do Cotonifício Crespi entraram em greve em São Paulo. No mês seguinte, a paralisação já havia atingido cerca de 15 mil operários, de vários setores. Em 9 de julho, os trabalhadores organizaram uma passeata. A polícia avançou sobre a multidão com seus cavalos e atirou. Antonio Martinez, um sapateiro, caiu morto. O assassinato revoltou ainda mais os trabalhadores: dias depois, o movimento se tornou uma greve geral com 45 mil pessoas paradas – praticamente todos os operários da capital paulista.
Enquanto os anarquistas de São Paulo subiam nos palanques para inflamar os grevistas, o movimento atingia o Rio de Janeiro e o Paraná. Fábricas foram invadidas e depredadas, enquanto ocorriam novos confrontos com a polícia. Ainda em julho, um acordo permitiu que os operários voltassem ao trabalho. Tiveram a garantia de que seus direitos seriam respeitados e ganharam um aumento salarial de 20%.
Depois da greve, o governo fechou de vez o cerco contra os anarquistas. Em 1918, Gigi Damiani foi expulso do país (restabelecido na Europa, dedicaria-se a publicar textos que desaconselhavam a imigração para o Brasil). Para evitar o mesmo destino, Oreste Ristori fugiu para a Argentina. Já as Escolas Modernas não escaparam: sofreram uma campanha de difamação pública e foram fechadas na virada dos anos 1920.
O ano de 1917 trouxe, além da greve, outro acontecimento que marcou o declínio do anarquismo no Brasil. Foi a Revolução Russa, que fez com que os comunistas ganhassem espaço no operariado brasileiro. Enquanto os anarquistas pregavam a abolição imediata do Estado, os comunistas defendiam que o poder não acabasse de uma hora para outra, mas passasse às mãos dos trabalhadores. A vitória de Lênin e seus camaradas parecia mostrar que esse era o melhor caminho a ser seguido.
Após chegar ao poder, na chamada Revolução de 1930, Getúlio Vargas deu o golpe de misericórdia na influência dos anarquistas. Ele decidiu não reprimir abertamente os operários, mas atraí-los para perto de si. Os sindicatos foram absorvidos pelo Estado e “amansados”: como eles agora eram órgãos oficiais, não podiam se opor ao governo. Enquanto isso, a polícia de Vargas caçava os militantes que podiam ameaçar a nova ordem. Uma das vítimas foi Oreste Ristori. De volta da Argentina, ele se opunha à aproximação entre o Brasil e a Itália do fascista Mussolini. Em abril de 1936, Ristori foi preso. Em junho, foi enviado para seu país natal – sete anos depois, seria descoberto pelos fascistas na cidade de Empoli e fuzilado.
Nos anos 1930, enquanto o anarquismo era abandonado pelos operários, os palcos do Brás ainda mostravam as peças dos militantes. Mas elas também estavam com os dias contados. Em 1937, Vargas iniciou a ditadura do Estado Novo. Uma de suas medidas foi a criação do Departamento de Imprensa e Propaganda, que, entre outras coisas, escolhia o que os teatros podiam exibir. É claro que todas as montagens anarquistas foram banidas. Naquele Brasil autoritário, o sonho libertário dos imigrantes foi deportado até da ficção.
Por: Márcio Sampaio de castro
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009
O BRASIL NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

A participação do Brasil na Primeira Guerra Mundial foi estabelecida em função de uma série de episódios envolvendo embarcações brasileiras na Europa. No mês de abril de 1917, forças alemãs abateram o navio Paraná nas proximidades do Canal da Mancha. Seis meses mais tarde, outra embarcação brasileira, o encouraçado Macau, foi atacado por alemães. Indignados, populares exigiram uma resposta contundente das autoridades brasileiras.
Na época, o presidente Venceslau Brás firmou aliança com os países da Tríplice Entente (Estados Unidos, Inglaterra e França), em oposição ao grupo da Tríplice Aliança, formada pelo Império Austro-húngaro, Alemanha e Império Turco-otomano. Sem contar com uma tecnologia bélica expressiva, podemos considerar a participação brasileira na Primeira Guerra bastante tímida. Entre outras ações, o governo do Brasil enviou alguns pilotos da Força Aérea, o oferecimento de navios militares e apoio médico.
Incumbidos de proteger o Atlântico de possíveis ataques de submarinos alemães, sete embarcações foram usadas na Primeira Guerra: dois cruzadores, quatro contratorpedeiros e mais um navio auxiliar. A pequena tripulação destes navios, mesmo tendo um papel breve, foi vítima da epidemia de gripe espanhola que assolou a Europa nesse período. A experiência de maior sucesso brasileiro no conflito aconteceu com os grupos enviados para lutarem ao lado de soldados franceses e britânicos.
Os brasileiros tiveram participação nos conflitos das tropas da frente ocidental e na região da Jutlândia. O mais conhecido caso de participação brasileira se refere ao militar José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque. Relatos contam que este militar foi responsável pelo comando de pelotões de cavalaria francesa e uma pequena unidade de tanques. A experiência por ele adquirida abriu portas para que, logo em seguida, o Brasil adquirisse seus primeiros carros blindados.
O apoio brasileiro teve muito mais presença com o envio de suprimentos agrícolas e matéria-prima procurada pelas nações em conflito. No Brasil, a Primeira Guerra teve implicações significativas em nossa economia. A retração econômica sofrida pelas grandes nações industriais européias abriu portas para que o parque industrial se desenvolvesse.
FONTE: http://www.brasilescola.com/
Na época, o presidente Venceslau Brás firmou aliança com os países da Tríplice Entente (Estados Unidos, Inglaterra e França), em oposição ao grupo da Tríplice Aliança, formada pelo Império Austro-húngaro, Alemanha e Império Turco-otomano. Sem contar com uma tecnologia bélica expressiva, podemos considerar a participação brasileira na Primeira Guerra bastante tímida. Entre outras ações, o governo do Brasil enviou alguns pilotos da Força Aérea, o oferecimento de navios militares e apoio médico.
Incumbidos de proteger o Atlântico de possíveis ataques de submarinos alemães, sete embarcações foram usadas na Primeira Guerra: dois cruzadores, quatro contratorpedeiros e mais um navio auxiliar. A pequena tripulação destes navios, mesmo tendo um papel breve, foi vítima da epidemia de gripe espanhola que assolou a Europa nesse período. A experiência de maior sucesso brasileiro no conflito aconteceu com os grupos enviados para lutarem ao lado de soldados franceses e britânicos.
Os brasileiros tiveram participação nos conflitos das tropas da frente ocidental e na região da Jutlândia. O mais conhecido caso de participação brasileira se refere ao militar José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque. Relatos contam que este militar foi responsável pelo comando de pelotões de cavalaria francesa e uma pequena unidade de tanques. A experiência por ele adquirida abriu portas para que, logo em seguida, o Brasil adquirisse seus primeiros carros blindados.
O apoio brasileiro teve muito mais presença com o envio de suprimentos agrícolas e matéria-prima procurada pelas nações em conflito. No Brasil, a Primeira Guerra teve implicações significativas em nossa economia. A retração econômica sofrida pelas grandes nações industriais européias abriu portas para que o parque industrial se desenvolvesse.
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quinta-feira, 13 de agosto de 2009
MINA DO CHICO REI OURO PRETO (MG)
Essa era a situação dos escravos no período do ouro no Brasil, entrava na mina antes do sol nascer, e sai quando anoitecia. Não sabia o que acontecia na superfície. se estava chovendo, fazendo frio ou calor. Sem contar que não era bonitinho assim como vocês estão vendo com luz elétrica, mas iluminado com tochas que no caso deveria deixar o clima muito mais claustrofóbico, bem diferente das versões romãnticas dos livros de história.
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