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sábado, 31 de março de 2012

Os Deuses devem estar loucos

Uma avioneta sobrevoando o habitat de uma tribo, de onde um dos seus tripulantes lança uma vulgar garrafa de Coca-Cola… é assim que o filme inicia. De início a garrafa faz as delícias aos elementos da tribo. Passado algum tempo, esta simples e inofensiva garrafa começa a ser disputada, começa a trazer problemas, de tal forma que o chefe da tribo decide entregá-la aos deuses.

Durante a viagem do chefe este enfrenta encontros com novas e inesperadas situações, que este procura entender à sua maneira. Rimos muito desta personagem, tão radicalmente diferente de nós a vários níveis: no seu aspecto físico, na linguagem que utiliza, no modo como vê o mundo que o rodeia, nas suas convicções, atitudes e comportamentos.

Esquecemos assim, por alguns momentos, de que nós próprios temos, também, dificuldades em compreender realmente os outros, ou seja, aqueles que não partilham a nossa maneira de estar, que não têm a mesma visão do mundo, nem semelhantes expectativas e aspirações. Afinal, também nós olhamos o mundo tomando como ponto de referência a nossa própria cultura; atribuímos os mesmos significados aos fenómenos significativos que nos são familiares; formulamos, a respeito dos outros, intenções e objetivos; projetamos fantasias que só fazem parte da nossa imaginação.

Mas, afinal, isto conduz também a uma outra questão que tem a ver com a forma como encaramos as situações novas e os inevitáveis efeitos que estas provocam em nós e nos outros. A garrafa de Coca-Cola é a este título sugestiva, pois representa um elemento novo, introduzido artificialmente na vida de um grupo, que vai implicar alterações na vida social e suscitar as mais diversas reações.

Porém, se refletirmos um pouco, não é isto que fazemos, muitos de nós, na nossa cultura quando somos confrontados com situações de mudança e procuramos a todo o custo ignorá-las, permanecendo tal como somos, numa tentativa desesperada de evitar esses imperativos de mudança? Não temos, também nós, dificuldades em lidar com essas mudanças, cada vez mais frequentes e imprevistas, que a cada passo se sucedem na sociedade? Não manifestaremos semelhantes atitudes de rejeição face a elementos que, de alguma forma, podem abalar as nossas crenças, as nossas certezas e alterar o rumo das nossas vidas?

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Assim nasceu a bruxaria


Para pregar o bem, cristãos convenciam seu rebanho da existência do mal: o demônio estava solto e a mulher era perigosa

Carlos Roberto Figueiredo Nogueira

O cristianismo surgiu com a proposta de ser uma religião universal, mas o mundo tinha particularidades, sobretudo religiosas. Para levar a Boa-Nova a todos os homens, os cristãos precisavam se impor sobre seus oponentes.
Assim foi construída a Igreja, primeiro apartando-se do judaísmo, o mais incômodo adversário pela inquietante proximidade. Eliminados os judeus – “assassinos de Cristo” –, os heterodoxos foram os seguintes a ser calados ou perseguidos.
Ao longo do período medieval, a Igreja era atormentada pelas seitas de “adoradores do diabo”, e por isso as perseguiu. Com rigor cada vez maior, chegou à caça às bruxas da Europa moderna: a combinação trágica e eficaz entre a alteridade e a erudição.
A construção de uma mitologia satânica implicou um monumental esforço de reconhecimento do demônio, de suas formas e possibilidades de atuação. Também era preciso identificar seus agentes, ou seja, aqueles que, embora inseridos no rebanho dos fiéis, tramavam secretamente para a sua perdição. Entre estes estava a mulher.
Teólogos e eruditos medievais a converteram em bruxa, o suprassumo da traição e da maldade, o veículo preferencial de toda a malignidade de Satã – enfim, o feminino em toda a sua tragicidade.A doutrina cristã apresentava como razão para a submissão feminina a própria Criação: se o homem não foi criado pela mulher, ela estava numa posição automaticamente submissa.
E ela também era a introdutora do pecado responsável pela condenação dos homens aos tormentos deste e do outro mundo, tornando-se a vítima e, ao mesmo tempo, a parceira consciente do diabo. De presa preferencial do demônio, Eva – a primeira mulher – foi convertida em seu lugar-tenente.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Elixir do mundo moderno


Fruto exótico em sua origem africana, o café se tornou um produto cobiçado, sinônimo de luxo e elegância

Escrito por: Ana Luiza Martins

“Segure uma xícara exalando o aroma de um bom café e você estará com a História em suas mãos!” Não há exagero neste ditado. Um simples gole dessa bebida estimulante nos leva a uma imensa cadeia de produção, embalada em muita aventura e ousadia, e ao exotismo do Oriente. O conteúdo renovador desta infusão transformou-a na segunda bebida mais consumida no mundo, só perdendo para a água.

Sua trajetória do Oriente para o Ocidente é narrada por meio de histórias fantásticas, disputas ferrenhas, consagrando a bebida como um dos motores da sociedade moderna. O milenar percurso de suas sementes, que atravessaram continentes e mares, faz lembrar o lugar onde tudo começou. A fruta vermelha que nasce da flor branca do pé de café foi descoberta por volta do ano de 525 no interior da Etiópia.

Já a primeira referência alusiva ao uso comestível do café está em manuscritos do Iêmen, de 575, que revelam a Lenda de Kaldi. Reza a lenda que um pastor de cabras da Etiópia observou o efeito excitante que as folhas e os frutos de determinado arbusto produziam em seu rebanho. Os animais que mastigavam a planta subiam as montanhas com agilidade e apresentavam mais resistência. Kaldi experimentou seus frutos, confirmando os dotes estimulantes, e seu consumo se disseminou pela região.

Os etíopes se alimentavam de sua polpa doce, por vezes macerada, ou misturada em banha, para refeição. E produziam um suco que, fermentado, se transformava em bebida alcoólica. As folhas também eram mastigadas ou utilizadas no preparo de chá. A infusão do fruto – quando se mergulha em água fervente uma substância para obter dela outra –, porém, ocorreria mais tarde, a partir do ano 1000, com as cerejas fervidas em água, para fins medicinais. Mas a bebida só adquiriu forma e gosto como a conhecemos hoje no século XIV, com a torrefação. (...)


domingo, 12 de dezembro de 2010

Questão de pele


Coisa de índio, escravo ou marginal, a tatuagem teve que romper fronteiras sociais para conquistar a juventude dourada brasileira

Nenhuma nação desconheceu a tatuagem. Encorajada aqui, proibida acolá, ela independe de geografia, classe ou calendário e é tão antiga quanto a própria humanidade. Nasce e renasce em todos os continentes de modo espontâneo, ao sabor dos grandes deslocamentos humanos, seguindo (e escrevendo) a História de vencedores e de vencidos, dos reis e dos súditos, dos inuits do gelado Ártico aos marinheiros de Santos.

Não se sabe ao certo quando chegou por estas bandas, mas viajantes estrangeiros já se surpreendiam com as marcas pigmentadas na pele dos índios. Em 1512, Henri Estienne, um explorador francês, ficou impressionado com os rostos dos nativos, decorados com cicatrizes azuladas. Algumas iam das orelhas ao queixo. Quando cruzou o Atlântico de volta para casa, levou alguns índios consigo e os exibiu na corte francesa. Hoje se sabe que a prática era amplamente utilizada. Dos mundurucus (Amazonas, Mato Grosso e Pará) aos povos litorâneos, como os tabajaras, nossos índios se tatuavam para denotar sua origem ou marcar momentos de passagens, como a puberdade, e mudanças de status, como a de menino para guerreiro ou a de inimigo para escravo. Eles usavam espinhos e outros instrumentos de corte, como dentes de animais e diamantes. E o principal pigmento vinha do jenipapo. Nada muito sofisticado: em geral, as marcas se restringiam a desenhos geométricos rudes, distantes da intrincada elaboração da tatuagem das Ilhas Marquesas, na Polinésia Francesa, onde os homens eram totalmente “decorados” da cabeça aos pés.

As cicatrizes intencionais dos escravos – também chamadas de escarificação – eram outra marca corporal impressionante para os estrangeiros. “Fazem pôr por enfeite e sinal nas suas faces muitos lanhos, (...) indicativos da família, do Reino, do Presídio e do lugar onde nasceram”, descreveu, em 1793, o português Oliveira Mendes em Memória a respeito dos escravos e tráfico de escravatura entre a Costa d’África e o Brasil. Outro europeu a mencionar as escarificações dos negros escravos foi o historiador francês Ferdinand Denis (1798-1890). Ao circular pela Rua da Alfândega, no Rio de Janeiro da primeira metade do século XIX, afirmou que era chocante ver os negros seminus na rua, com suas “tatuagens bizarras, que servem de pronto para reconhecer as suas nações”. Denis se referia às cicatrizes intencionais, mas já emprega, em francês, a palavra “tatuagem”.

O termo passou a ser adotado depois que o inglês James Cook conheceu in loco a sofisticada tradição desenvolvida na Polinésia, em fins do século XVIII. Lá, os nativos usavam espinhas de peixe finíssimas, ou ossos de passarinho, para perfurar a pele e injetar um pigmento feito à base de carvão e ferrugem. O navegador registrou o costume em seu diário de bordo: “Homens e mulheres pintam o corpo. Na língua deles, chamam isso de tatau. Injetam pigmento preto sob a pele de tal modo que o traço se torna indelével”. A palavra taitiana era uma onomatopéia do som feito durante a execução da tatuagem. Veio daí a versão em inglês: tattoo.

O nome pegou e a prática se espalhou com os lobos-do-mar ingleses pelos sete mares. No século XIX, a tatuagem tinha virado moda entre marinheiros, operários, prostitutas e criminosos de todo tipo. No Brasil não foi diferente. Com a abertura dos nossos portos, a tatuagem alcançou o submundo. As descrições dessa prática marginal estão presentes em livros de médicos e criminalistas, e em crônicas jornalísticas do século XX. Em “Tatuagem e criminalidade”, tese apresentada na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1912, José Ignacio de Carvalho enumerava as tatuagens de presos da Casa de Detenção. Nomes, iniciais e emblemas de amor predominavam nos 994 tatuados que encontrou em um universo de 6.542 detentos. Os tatuados eram padeiros, baleiros, pedreiros, marítimos, cocheiros, domésticos e alfaiates, o que levou o autor à seguinte conclusão: “O indivíduo tatuado pertence, em geral, a uma classe inferior, estranha aos progressos da civilização”.

Essa era a visão corrente. Por conta da chamada antropologia criminal, surgida a partir da segunda metade do século XIX, as conotações pejorativas haviam se cristalizado na Europa católica. Da Itália até Portugal, tatuagem era coisa de cidadão de segunda classe. O mesmo não acontecia nos países protestantes, como Alemanha, Holanda e Inglaterra, onde reis, imperadores e aristocratas também adornavam suas peles. Era a marca do conquistador branco. O pai da moda foi o rei britânico Eduardo VII (1841-1910). Ainda príncipe, tatuou-se nas viagens de instrução, etapa necessária da educação militar do aspirante ao trono. O monarca fez tatuagens em Jerusalém e no Japão, as grandes mecas da prática na virada para o século XX. Depois de Eduardo VII, outros nobres adotaram o costume. Foi o caso de Frederico IX (1899-1972). Fotografias famosas mostram o rei da Dinamarca sem camisa, ostentando orgulhosamente tatuagens marinheiras e de emblemas de seu país.

Não se sabe ao certo se a elite brasileira conheceu o costume ou se teve interesse e meios de adotá-lo. Por aqui a tatuagem permanecia marginal no início do século passado, feita pelos próprios tatuados e por tatuadores amadores – a maioria deles estrangeiros de passagem pelo Brasil na condição de marinheiros. A situação só mudaria com a máquina de tatuar, patenteada pelo inglês Samuel O’ Reilly em 1891, mas que só chegaria deste lado do Atlântico no século seguinte.

O grande pioneiro da tatuagem no Brasil foi um ex-marinheiro dinamarquês estabelecido em Santos. Knud Harld Likke Gregersen (1928-1983), o “Tattoo Lucky”, nasceu em Copenhague e tinha a tatuagem no sangue – seu pai, Jens, era um tatuador de renome internacional. O próprio Knud afirmou várias vezes que sua infância e juventude se passaram no ateliê da família. Depois de anos levando a vida de marinheiro, desembarcou de vez no porto de Santos em 20 de julho de 1959. O Arquivo Nacional ainda conserva sua ficha de registro: ao se apresentar às autoridades, declarou-se desenhista e pintor. Seis meses depois, já estampava jornais e revistas. No dia 7 de janeiro de 1960, foi tema de matéria da Folha de S. Paulo.

A fama nacional de Tattoo Lucky, contudo, só veio nos anos 1970 e se deve a toda uma nova conjuntura. A tatuagem estava em alta nos Estados Unidos, mais especificamente em São Francisco, Califórnia. Lá se tatuaram ícones pop como Janis Joplin, Peter Fonda e Joan Baez, o que criou as condições para a contaminação da juventude consumidora de modas. Foi assim que ela renasceu por aqui. Quem levantou o dinamarquês tatuador foram os surfistas. Jovens praticantes do esporte passaram a viajar para Santos à procura do famoso Tattoo Lucky. Uns queriam dragões e panteras, outros preferiam flores, cogumelos ou pequenos símbolos da onda hippie.

Foram os surfistas os anfitriões da tatuagem no meio da classe média urbana. E a passagem da marginalidade para a consagração se deu em grande estilo: na voz de Caetano Veloso. Em 1979, o baiano cantava logo na primeira estrofe: “Menino do Rio/ Calor que provoca arrepio/ Dragão tatuado no braço/ Calção corpo aberto no espaço/ Coração, de eterno flerte/ Adoro ver-te...”. “Menino do Rio” era uma homenagem ao surfista José Artur Machado, o Petit, cliente de Tattoo Lucky e dono de um enorme dragão no braço esquerdo. Os versos chancelavam a sensualidade da tatuagem. Séculos de marginalidade – dos índios, escravos e pobres – viraram pó com aquela canção. A música foi tema de novela da TV Globo (“Água Viva”, 1980) e batizou um filme, dirigido por Antônio Calmon em 1981, que fez sucesso entre os jovens.

O terreno estava preparado: na onda da contracultura e embalada pelos meios de comunicação, a tatuagem enfim virou moda entre nós. De uma hora para outra, os filhos da ditadura militar quiseram se tornar meninos e meninas do Rio. O mercado nasceu e se expandiu com uma velocidade impressionante. Lojas de tatuagem começaram a ser abertas no Rio, em São Paulo, em Salvador e em outras capitais. Seus donos? Aquela mesma juventude que se encantou com as tatuagens que via ao vivo ou na mídia nas décadas de 1960 e 70. Agora estavam com a máquina e a tinta nas mãos. O resultado está aí, estampado na pele.

Toni Marques é jornalista, editor do programa Fantástico (TV GLOBO), e autor de O Brasil tatuado e outros mundos (Rocco, 1997).

Saiba Mais - Bibliografia:

ARAUJO, LEUSA. Tatuagem, piercing e outras mensagens do corpo. São Paulo: Cosac & Naify, 2006.

LOPES, Moacir. Maria de cada porto. Rio de Janeiro: Quartet Editora, 2002.

PERRONE-MOISÉS, Leyla. Vinte luas – Viagem de Paulmier de Gonneville ao Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.




Vida após a morte


Cemitérios de São Paulo viram pontos turísticos e são registrados em livro.

A terra da garoa tem muitos museus, mas poucos turistas conseguem visitar em um só lugar referências a Tarsila do Amaral, Campos Sales, Monteiro Lobato e marquesa de Santos. Para isso, é preciso deixar o medo de lado. Afinal, não é qualquer um que mantém a calma ao entrar em um cemitério. A partir de 2011, a chance de alguém se perder entre os túmulos será menor. Isso porque será lançado um guia com roteiros pelas principais necrópoles paulistanas.

O livro Cemitérios e lugares da morte em São Paulo propõe passeios a pé, com mapas e setas indicando o percurso. Pode ser lido como um guia de turismo, mas com muito mais referências históricas. Segundo a editora Paula Janovitch, os roteiros relacionam os cemitérios com temas como arte e imigração. Já os “lugares da morte” seriam igrejas antigas, onde eram feitos os enterros até meados do século XIX. O primeiro cemitério público, chamado Consolação, só foi construído em 1858.

Para Eduardo Rezende, presidente da Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais (Abec) e dono da Editora Necrópolis, o Cemitério Consolação é o mais indicado tanto para se visitar a última morada de personalidades históricas como para apreciar a arte tumular. O mausoléu da família Matarazzo, com 20 metros de altura, é campeão de visitas. Outros eventos, digamos, inusitados aconteceram por ali. “Pagu e Oswald de Andrade se casaram, em 1930, em frente ao túmulo do pai dele”, afirma Rezende.

Perto do Consolação, os cemitérios Araçá e São Paulo completam o circuito turístico básico. No Araçá, segunda necrópole pública da cidade, está enterrada Francisca Júlia (1871-1920), uma das primeiras poetisas do país. A estátua que enfeita hoje o túmulo é uma cópia da original, em mármore carrara, esculpida por Victor Brecheret. A obra foi transferida em 2006 para a Pinacoteca de São Paulo.

Além de Brecheret, outros artistas de sangue italiano se destacaram na arte tumular. Segundo a historiadora Eloína Ribeiro, Eugênio Prati, Galileo Emendabili e Antello Del Debbio chegaram a montar ateliês em frente ao Cemitério São Paulo. Eles se mudaram para a cidade na década de 1920, quando foram construídos os primeiros grandes monumentos funerários. A maioria das obras era feita para imigrantes. “As esculturas geralmente mostram que eles tiveram sucesso no Brasil, tornando-se comerciantes e industriais”, diz a historiadora.

Eloína escreveu um dos roteiros sobre as necrópoles da cidade, mas se limitou ao Cemitério São Paulo. Ali está a maioria das obras feitas por ítalo-brasileiros, sua especialidade. Com ela, Paula e Rezende formam um time crescente de admiradores de “lugares da morte”. Apesar de ainda haver muito preconceito, eles garantem: quem vai a um cemitério sempre acaba voltando depois.





sábado, 4 de dezembro de 2010

De volta a 1967


De volta a 67, é um documentário aborda a final do conturbado III Festival da Record.


Quase 43 anos depois daquela noite de 30 de outubro de 1967, é curioso como a final do III Festival da Record ainda repercute na cultura brasileira. O documentário “Uma noite em 67” de Renato Terra e Rodrigo Calil, investiga o que estava por trás da competição entre as seis músicas finalistas da competição, ocorrida no fervor da ditadura militar no país. Para Nelson Motta, crítico musical e jornalista entrevistado no filme, “é naquele momento que explode o tropicalismo, que racha a MPB, que Caetano e Gil se tornam ídolos instantâneos, que se confrontam as diversas correntes musicais e políticas da época”.
Naquele momento, “Ponteio” (Edu Lobo), “Roda Viva” (Chico Buarque), “Domingo no Parque” (Gilberto Gil), “Alegria, alegria” (Caetano Veloso), “Maria, Carnaval e Cinzas” (Roberto Carlos) e “Beto Bom de Bola” (Sérgio Ricardo) representavam os embates políticos que eram travados na cena cultural, entre a juventude engajada, a liberação dos costumes e a despolitização acentuada com a consolidação da cultura de massas.
Era música “jovem” e a música “brasileira”. A questão era: porque não uma “música jovem brasileira”?Com um formato simples - entrevistas e imagens de arquivo - o documentário acerta ao ter uma proposta objetiva: retratar um acontecimento dentro de seu contexto histórico.
O diretor Ricardo Calil lembra o conselho de João Moreira Salles, produtor do filme pela Videofilmes : "se você quer fazer um filme sobre os Correios, você faz o filme sobre uma carta".Graças à parceria com a Record Entrenimento, o filme traz cenas das entrevistas nos bastidores e as apresentações na íntegra e remasterizadas, transformando a sala de cinema no teatro Record daquela noite.
É de se observar, no entanto, que apesar daquele festival envolver nomes como a apresentadora Cidinha Campos, a cantora Maria Medalha (intérprete junto a Edu Lobo na música vencedora "Ponteio"), Elis Regina e Nara Leão - que, embora não tenham se apresentado naquela final, foram importantes nomes da música brasileira-, nenhuma mulher é entrevistada no filme.
O filme leva o espectador de volta a década de 1960, quandoa Guerra Fria trazia o embate entre o modelo capitalista e o socialista e, acreditando-se próxima a um governo de esquerda, as bandeiras da juventude ganhavam ares de “revolução”. A chegada da ditadura militar em 64 foi um balde de água fria para os militantes que depositaram suas esperanças em ver o “povo” no poder.
Por um lado, a repressão do governo fez calar aqueles que atrapalhavam os interesses do regime e, por outro, possibilitou a consolidação no país de uma indústria cultural nos moldes norte-americanos.
Enquanto Roberto Carlos e a Jovem Guarda embalavam as tardes de domingo de grande parte da juventude daquela época, artistas considerados engajados, como Geraldo Vandré, Chico Buarque e Edu Lobo, intensificavam o processo de nacionalização e politização na chamada música popular.
Porém, se alguns consideravam qualquer influência cultural estrangeira uma ameaça à resistência ao regime militas, os baianos mostraram no Rio de Janeiro que a sociedade poderia ser um pouco mais complexa, misturando berimbau com guitarras elétricas e propondo um estilo musical que deu novos rumos à música brasileira naquele momento.
Sem grandes pretensões de ser um marco “político, musical, histórico, transcendental”, segundo o diretor da Record Paulinho Machado de Carvalho, e tomar a proporção que tomou, os festivais tinham naquela época um papel semelhante ao da novela nos dias de hoje. Com a chegada da televisão no país, o conteúdo do rádio começava a migrar para o formato audiovisual e os festivais se tornaram importantes vitrines para músicos como Elis Regina, Jair Rodrigues, Tim Maia, Nara Leão, entre muitos outros.
No filme, Paulinho Machado conta que sua preocupação era “fazer o festival dar certo, em termos de produção”, em meio a ânimos tão exaltados. Entre as pérolas do festival (e do filme), está a cena em que Sérgio Ricardo, revoltado com as vaias que o impediam de cantar, quebra o violão no palco e o atira na platéia, sendo desclassificado em seguida. As vaias tinham cadeira cativa nas apresentações.
Para a jornalista Ana Paula Sousa, da Folha de São Paulo, era um Brasil que, “calado pela ditadura, parecia disposto a vaiar quem quer que fosse, de Roberto Carlos a Caetano Veloso”. As disputas políticas em torno da música popular brasileira eram refletidas no palco e principalmente na plateia organizada, que dava ares de final de Copa do Mundo à competição.
A própria organização do festival e a seleção dos finalistas lembrava ringues de batalha entre “personagens”: Chico Buarque, o mocinho; Roberto Carlos, o galã; Edu Lobo, o politizado; Caetano e Gil, os baderneiros. Zuza Homem de Mello, técnico de som da Record no festival e consultor do filme, conta que “a plateia estava a fim de destruir as músicas de que não gostava, muitas vezes por razões políticas.
Era um tipo de fanatismo que nunca tínhamos visto em um festival”.Nos dias de hoje, sem iminência da repressão militar e com novela de sobra na televisão, ouvimos muitas vezes o discurso de que “não se faz mais política e cultura como antigamente”. No entanto, com as possibilidades de produção e circulação cultural ampliadas pelas novas tecnologias, observa-se o contrário: uma enorme proliferação de artistas independentes, por vezes não menos qualificados, realizando seus trabalhos sem espaço na mídia comercial, que ainda mantém formatos semelhantes aos de quarenta anos atrás.
É preciso atualizar também os conceitos de cultura e política para enxergar as novas formas de organização da juventude. Como propõe Gilberto Gil em entrevista no filme, é preciso “misturar as sementes para ver no que dá”.Formada em Estudos de Midia pela UFF e mestranda em "Indústrias Criativas: web, midia e artes" pela Universidade Paris VIII, Aline Carvalho é autora do livro Produção de Cultura no Brasil: Da Tropicália aos Pontos de Cultura. Documentário aborda a final do conturbado III Festival da Record.


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

As 10 estratégias de manipulação midiática


O linguista Noam Chomsky* elaborou a lista das "10 estratégias de manipulação" através da mídia

Tradução: Adital

1 - A estratégia da distração
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir que o público se interesse pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado; sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja com outros animais". (citação do texto "Armas silenciosas para guerras tranquilas")
2 - Criar problemas e depois oferecer soluções
Esse método também é denominado "problema-reação-solução". Cria-se um problema, uma "situação" prevista para causar certa reação no público a fim de que este seja o mandante das medidas que desejam que sejam aceitas. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou intensifique a violênca urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o demandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para forçar a aceitação, como um mal menor, do retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.
3 - A estratégia da gradualidade
Para fazer com que uma medida inaceitável passe a ser aceita basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Dessa maneira, condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.
4 - A estratégia de diferir
Outra maneira de forçar a aceitação de uma decisão impopular é a de apresentá-la como "dolorosa e desnecessária", obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aceitação futura. É mais fácil aceitar um sacríficio futuro do que um sacríficio imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Logo, porque o público, a massa tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacríficio exigido poderá ser evitado. Isso dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.
5 - Dirigir-se ao público como se fossem menores de idade
A maior parte da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade mental, como se o espectador fosse uma pessoa menor de idade ou portador de distúrbios mentais. Quanto mais tentam enganar o espectador, mais tendem a adotar um tom infantilizante. Por que? "Aí alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, em razão da sugestionabilidade, então, provavelmente, ela terá uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico". (ver "Armas silenciosas para guerras tranquilas")
6 - Utilizar o aspecto emocional mais do que a reflexão
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional e, finalmente, ao sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos.
7 - Manter o público na ignorância e na mediocridade
Fazer com que o público seja incapaz de copreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. "A qualidade da educação dada às classes sociais menos favorecidas deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que planeja entre as classes menos favorecidas e as classes mais favorecidas seja e permaneça impossível de alcançar". (ver "Armas silenciosas para guerras tranquilas")
8 - Estimular o público a ser complacente com a mediocridade
Levar o público a crer que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto.
9 - Reforçar a autoculpabilidade
Fazer as pessoas acreditarem que são culpadas por sua própria desgraça, devido à pouca inteligência, por falta de capacidade ou de esforços. Assim, em vez de rebelar-se contra o sistema econômico, o indivíduo se autodesvalida e se culpa, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de sua ação. E sem ação, não há revolução!
10 - Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem
No transcurso dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência gerou uma brecha crescente entre os conhecimentos do público e os possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto no aspecto físico quanto no psicológico. O sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que ele a si mesmo. Isso significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior do que o dos indivíduos sobre si mesmos.* Linguista, filósofo e ativista político estadunidense. Professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts


Fonte: Adital


segunda-feira, 23 de novembro de 2009

UMA AULA SOBRE REFRIGERANTE


Na verdade, a fórmula 'secreta' da Coca-Cola se desvenda em 18 segundos em qualquer espectrômetro-ótico, e basicamente até os cachorros a conhecem. Só que não dá para fabricar igual, a não ser que você tenha uns 10 bilhões de dólares para brigar com a Coca-Cola na justiça, porque eles vão cair matando.
A fórmula da Pepsi tem uma diferença básica da Coca-Cola e é proposital exatamente para evitar processo judicial. Não é diferente porque não conseguiram fazer igual não, é de propósito, mas próximo o suficiente para atrair o consumidor da Coca-Cola que quer um gostinho diferente com menos sal e açúcar.
Entre outras coisas, fui eu quem teve que aprender tudo sobre refrigerante gaseificado para produzir o guaraná Golly aqui (nos EUA), que usa o concentrado Brahma. Está no mercado até hoje, mas falhou terrivelmente em estratégia promocional e vende só para o mercado local, tudo isso devido à cabeça dura de alguns diretores.
Tive que aprender química, entender tudo sobre componentes de refrigerantes, conservantes, sais, ácidos, cafeína, enlatamento, produção de label de lata, permissões, aprovações e muito etc... e tal. Montei um mini-laboratório de análise de produto, equipamento até para analisar quantidade de sólidos, etc... Até desenvolvi programas para PC para cálculo da fórmula com base nos volumes e tipo de envasamento (plástico ou alumínio), pois isso muda os valores e o sabor. Tivemos até equipe de competição em stock-car.
Tire a imensa quantidade de sal que a Coca-Cola usa (50mg de sódio na lata) e você verá que a Coca-Cola fica igualzinha a qualquer outro refrigerante sem-vergonha e porcaria, adocicado e enjoado. É exatamente o Cloreto de Sódio em exagero (que eles dizem ser ' very low sodium') que refresca e ao mesmo tempo dá sede em dobro, pedindo outro refrigerante, e não enjoa porque o tal sal mata literalmente a sensibilidade ao doce, que também tem de montão: 39 gramas de 'açúcar' (sacarose).
É ridículo, dos 350 gramas de produto líquido, mais de 10% é açúcar. Imagine numa lata de Coca-Cola, mais de 1 centímetro e meio da lata é açúcar puro... Isso dá aproximadamente umas 3 colheres de sopa CHEIAS DE AÇÚCAR POR LATA!

- Fórmula da Coca-Cola?...

Simples: Concentrado de Açúcar queimado - Caramelo - para dar cor escura e gosto; ácido ortofosfórico (azedinho); sacarose - açúcar (HFCS - High Fructose Corn Syrup - açúcar líquido da frutose do milho); extrato da folha da planta COCA (África e Índia) e poucos outros aromatizantes naturais de outras plantas, cafeína, e conservante que pode ser Benzoato de Sódio ou Benzoato de Potássio, Dióxido de carbono de montão para fritar a língua quando você a toma e junto com o sal dar a sensação de refrigeração.
O uso de ácido ortofosfórico e não o ácido cítrico como todos os outros usam, é para dar a sensação de dentes e boca limpa ao beber, o fosfórico literalmente frita tudo e em quantidade pode até causar decapamento do esmalte dos dentes, coisa que o cítrico ataca com muito menor violência, pois o artofosfórico 'chupa' todo o cálcio do organismo, podendo causar até osteoporose, sem contar o comprometimento na formação dos ossos e dentes das crianças em idade de formação óssea, dos 2 aos 14 anos. Tente comprar ácido fosfórico para ver as mil recomendações de segurança e manuseio (queima o cristalino do olho, queima a pele, etc...).
Só como informação geral, é proibido usar ácido fosfórico em qualquer outro refrigerante, só a Coca-Cola tem permissão... (claro, se tirar, a Coca-Cola ficará com gosto de sabão).
O extrato da coca e outras folhas quase não mudam nada no sabor, é mais efeito cosmético e mercadológico, assim como o guaraná, você não sente o gosto dele, nem cheiro, (o verdadeiro guaraná tem gosto amargo) ele está lá até porque legalmente tem que estar (questão de registro comercial), mas se tirar você nem nota diferença no gosto.
O gosto é dado basicamente pelas quantidades diferentes de açúcar, açúcar queimado, sais, ácidos e conservantes. Tem uma empresa química aqui em Bartow, sul de Orlando. Já visitei os caras inúmeras vezes e eles basicamente produzem aromatizantes e essências para sucos. Sais concentrados e essências o dia inteiro, caminhão atrás de caminhão! Eles produzem isso para fábricas de sorvete, refrigerantes, sucos, enlatados, até comida colorida e aromatizada.
Visitando a fábrica, pedi para ver o depósito de concentrados das frutas, que deveria ser imenso, cheio de reservatórios imensos de laranja, abacaxi, morango, e tantos outros (comentei). O sujeito olhou para mim, deu uma risadinha e me levou para visitar os depósitos imensos de corantes e mais de 50 tipos de componentes químicos. O refrigerante de laranja, o que menos tem é laranja; morango, até os gominhos que ficam em suspensão são feitos de goma (uma liga química que envolve um semipolímero). Abacaxi é um festival de ácidos e mais goma. Essência para sorvete de Abacate? Usam até peróxido de hidrogênio (água oxigenada) para dar aquela sensação de arrasto espumoso no céu da boca ao comer, típico do abacate.
O segundo refrigerante mais vendido aqui nos Estados Unidos é o Dr. Pepper, o mais antigo de todos, mais antigo que a própria Coca-Cola. Esse refrigerante era vendido obviamente sem refrigeração e sem gaseificação em mil oitocentos e pedrada, em garrafinhas com rolha como medicamento, nas carroças ambulantes que você vê em filmes do velho oeste americano. Além de tirar dor de barriga e unha encravada, também tirava mancha de ferrugem de cortina, além de ajudar a renovar a graxa dos eixos das carroças. Para quem não sabe, Dr. Pepper tem um sabor horrível, e é muito fácil de experimentar em casa: pegue GELOL spray, aquele que você usa quando leva um chute na canela, e dê um bom spray na boca! Esse é o gosto do tal famoso Dr. Pepper que vende muito por aqui.


- Refrigerante DIET.


Quer saber a quantidade de lixo que tem em refrigerante diet? Não uso nem para desentupir a pia, porque tenho pena da tubulação de PVC. Olha, só para abrir os olhos dos cegos: os produtos adocicantes diet têm vida muito curta. O aspartame, por exemplo, após 3 semanas de molhado passa a ter gosto de pano velho sujo.
Para evitar isso, soma-se uma infinidade de outros químicos, um para esticar a vida do aspartame, outro para dar buffer (arredondar) o gosto do segundo químico, outro para neutralizar a cor dos dois químicos juntos que deixam o líquido turvo, outro para manter o terceiro químico em suspensão, senão o fundo do refrigerante fica escuro, outro para evitar cristalização do aspartame, outro para realçar, dar 'edge' no ácido cítrico ou fosfórico que acaba sofrendo pela influência dos 4 produtos químicos iniciais, e assim vai... A lista é enorme.
Depois de toda essa minha experiência com produção e estudo de refrigerantes, posso afirmar: Sabe qual é o melhor refrigerante? Água filtrada, de preferência duplamente filtrada, laranja ou limão espremido e gelo... Mais nada !!! Nem açúcar, nem sal.

(AUTOR: ANÔNIMO - por motivos óbvios).



domingo, 6 de setembro de 2009

LINHA DE PRODUÇÃO HUMANA

O sistema Capitalista diante da necessidade de um processo mais eficiente para aumentar a produtividade e lucros (dos patrões), eliminou qualquer habilidade do ser humano fazendo dele especialista apenas em uma tarefa específica, sendo uma parte extensora de uma máquina completamente alheio da realidade que o cerca. Assim então o poder se espalhou em formas de "disciplina " do corpo e do comportamento que molda o ser humano de acordo com o rítmo do sistema produtivo. Com o tempo, esse rítmo foi instalado no mais profundo do individuo, transformando-o numa máquina eficiente de produção, gerando problemas patológicos terríveis que foi muito bem expressado nesse video-clip do Chemical Brothers, onde o protagonista sofre de uma certa Esquizofrenia, por onde ele passa existe sempre uma máquina atrás dele.


sábado, 29 de agosto de 2009

ILUSÃO DA AUTONOMIA

Para Foucault, comportamentos considerados normais seriam ditados por regras impostas pela sociedade e internalizadas como padrão. Foucault percebe que o modelo prisional, analisado e classificado como disciplinar, não era exclusivo dos presídios, mas constituía uma marca da sociedade moderna (para ele, os séculos 19 e 20). O filósofo compara seus mecanismos de funcionamento ao modelo adotado nas escolas, nas empresas, nas clínicas psiquiátricas, no exército, entre outros estabelecimentos sociais
Assim como o preso, o aluno tem o espaço determinado da sua carteira, o tempo programado de cada aula é vigiado pelos professores e funcionários da escola e tem atividades previstas. O mesmo ocorre com o empregado de uma empresa. Para Foucault, a característica das instituições modernas é o controle minucioso do tempo dos gestos e da força dos indivíduos em um espaço determinado, explica Márcio Alves da Fonseca, professor do departamento de filosofia do PUC-SP. E o efeito desse mecanismo é a "padronização das acões dos indivíduos em suas diversas realizações". escreve Fonseca no artigo Foucault e o domínio do politizável.
Como cada individuo está vinculado a um lugar determinado, tem suas atividades previstas e atreladas às frações de tempo e é vigiado de forma contínua, ocorre uma composição das forças individuais, o que é destinado à produção de algo esperado. "Trabalho na empresa, conhecimento na escola", exemplifica Fonseca. " Todo esse controle é produtor. Ao compor essas forças, consegue-se um aparelho produtivo". Para isso, cada indivíduo passa a fazer parte de uma engrenagem, deixa de ser abordado nele mesmo (o indivíduo) e se torna parte de um todo produtivo.

FONTES: Revista Ciência e Vida, Ano I, Número 5; Vigiar e Punir/Michel Foucault.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

TEMPOS MODERNOS (1936-CHARLES CHAPLIN)


Trata-se do último filme mudo de Chaplin, que focaliza a vida urbana nos Estados Unidos na década de 1930, imediatamente após a crise de 1929, quando a depressão atingiu toda sociedade norte-americana, levando grande parte da população ao desemprego e à fome. A figura central do filme é Carlitos, o personagem clássico de Chaplin, que ao conseguir emprego numa grande indústria, transforma-se sem querer em líder grevista conhecendo uma jovem, por quem se apaixona. O filme focaliza a vida na sociedade industrial caracterizada pela produção com base no sistema de linha de montagem e especialização do trabalho. É uma crítica a "modernidade" e ao capitalismo representado pelo modelo de industrialização, onde o operário é engolido pelo poder do capital e perseguido por suas idéias "subversivas".



QUEM FOI JEAN PIAGET ?


Jean Piaget nasceu em Neuchâtel Suíça, e viveu de (1896-1980), foi o nome mais influente no campo da Educação durante a segunda metade do século 20, a ponto de quase se tornar sinônimo de pedagogia. Não existe, entretanto, um método Piaget, como ele próprio gostava de frisar. Ele nunca trabalhou como pedagogo. Antes de mais nada, Piaget foi biólogo e dedicou a vida a submeter à observação científica rigorosa o processo de aquisição do conhecimento pelo ser humano, particularmente a criança.

Do estudo das noções infantis de tempo, espaço, causalidade física, movimento e velocidade, Piaget criou um campo de investigação que denominou como conhecimento genético, isto é, uma teoria do conhecimento centrada no desenvolvimento natural da criança. Segundo ele, o pensamento infantil passa por quatro estágios, desde o nascimento até o início da adolecência, quando a capacidade plena de raciocínio é atingida

As descobertas de Piaget tiveram grande impacto na pedagogia, mas, de certa maneira, demonstraram que a transmissão de conhecimentos é uma possibilidade limitada. Por um lado, não se pode fazer uma criança aprender aquilo que ela não tem condições de absorver. Por outro, mesmo tendo essas condições, não vai interessar-se pelo conhecimento, a não ser que tenha vinculo com a sua realidade.

Isso porque, para o cientista suíço, o conhecimento se dá por descobertas que a própria criança faz, um mecanismo que outros pensadores já haviam imaginado, mas ele testou essas ideias na prática. Vem de Piaget a ideia de que o aprendizado é construído pelo aluno. Educar, para Piaget, é "provocar a atividade", isto é, estimular a procura do conhecimento.

ASSIMILAÇÃO E ACOMODAÇÃO: Com Piaget, ficou claro que as crianças não raciocinam como os adultos e apenas gradualmente se inserem nas regras, valores e símbolos. Esse processo se dá mediante a dois mecanismos: assimilação e acomodação.

O primeiro consiste em incorporar objetos do mundo exterior a esquemas mentais que já existem. Por exemplo: a criança que tem a ideia mental de uma ave como animal voador, com penas e asas, ao observar um avestruz vai tentar assimilá-lo a um esquema que não corresponde totalmente ao conhecido. Já a acomodação se refere a modificação dos sistemas de assimilação por influência do mundo externo. Assim, depois de aprender que um avestruz não voa, a criança vai adaptar seu conhecimento "geral" de ave para incluir as que não voam.

ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO: Um conceito essencial do conhecimento genético é o egocêntrismo, que explica o caráter mágico e pré-lógico do raciocínio infantil. A maturação do pensamento rumo ao domínio da lógica consiste no abandono gradual do egocêntrismo. Com isso se adquire a noção de responsabilidade individual, indispensável para a autonomia moral da criança.

Segundo Piaget, há quatro estágios básicos para do desenvovimento cognitivo. O primeiro é o estágio sensório-motor, que vai até os 2 anos. Nessa fase, as crianças adquirem a capacidade de administrar seus reflexos básicos para que gerem ações prazerosas ou vantajosas. É um período anterior a linguagem, no qual o bebê desenvolve a percepção de si mesmo e dos objetos a sua volta.

O estágio pré-operacional vai dos 2 aos 7 e se caracteriza pelo surgimento da capacidade de dominar a linguagem e a representação do mundo por meio de símbolos. A criança continua egocêntrica e ainda não é capaz, moralmente, de se colocar no lugar de outra pessoa.

O estágio das operações concretas, dos 7 aos 11 ou 12 anos, tem como marca a aquisição da noção de reversibilidade das ações. Surge a lógica nos processos mentais e a habilidade de diferenciar objetos por semelhanças e diferenças. A criança já pode dominar conceitos de tempo e número.

Por volta do 12 anos começa o estágio das operações formais. Essa fase marca a entrada na idade adulta, em termos cognitivos. O adolecente passa a ter o domínio do pensamento lógico e dedutivo, o que o habilita à experimentação mental. Isso implica, entre outras coisas, relacionar conceitos abstratos e raciocinar sobre hipóteses.

FONTE: Revista nova escola, edição especial, número 25.