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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

COM OS PÉS NA COLÔMBIA E OS OLHOS NO BRASIL

EUA: com os pés na Colômbia e os olhos no Brasil

Os EUA querem manter um papel protagonista no mundo e, para tanto, tentam expulsar a China da África e impedir uma aliança entre Rússia e Europa Ocidental. Essas duas grandes estratégias estão fracassando, daí a necessidade de garantir que a América Latina seja sua zona de influência exclusiva. A presença militar na Colômbia é um passo nesta direção, mas o verdadeiro alvo de Washington na região é o Brasil, país com maior poder relativo da região. A análise é dos cientistas políticos argentinos Marcelo Gullo e Carlos Alberto Pereyra Mele.

Agencia Periodística del Mercosur

Data: 30/08/2009
Nos centros de planejamento do traçado estratégico dos Estados Unidos sabe-se que passou o tempo da potência única e global. Para enfrentar a União Européia, China e Rússia, Washington quer assegurar o controle da América Latina. Para isso precisa “acabar” com o Brasil. As possibilidades de resistência na região, o papel da Unasul e outras iniciativas de integração – esses pontos foram de uma entrevista exclusiva à Agencia Periodística del Mercosul, concedida pelos cientistas políticos especialistas e geopolítica, Marcelo Gullo (autor dos livros “Argentina-Brasil: a grande oportunidade” e “A insubordinação fundadora. Breve história da construção do poder das nações”) e Carlos Alberto Pereyra Mele, do Centro de Estudos Estratégicos Sulamericanos.

Para Gullo, o interesse geopolítico dos Estados Unidos consiste em atrasar o processo de passagem da condição de potência global para a de uma potência regional. A crise que atingiu o país, acrescenta, não é conjuntural, mas sim estrutural, porque, pela primeira vez desde 1970, ocorreu uma dissociação entre os interesses da alta burguesia norte-americana e os do Estado. A partir da década de 80, as indústrias estadunidenses, buscando pagar salários mais baixos, foram para a Ásia para produzir para o mercado interno norte-americano, alimentando assim um processo de desindustrialização dentro do próprio território. “Isso gerou um enorme processo de desemprego. Esse seria o eixo conceitual da crise financeira global, deixando os EUA desindustrializado, sem empregos suficientes e com 40 milhões de pobres”, diz Gullo.
E acrescenta: “Os EUA querem manter um papel protagonista e, para tanto, tentam expulsar a China da África e impedir a aliança entre Rússia e Europa Ocidental. Essas duas grandes estratégias estão fracassando, daí a necessidade de colocar um pé na Colômbia, um passo para que a América Latina seja sua zona de influência exclusiva”.
Os EUA, lembra, só produzem 15% da energia que consome e a América Latina provê 25% de suas necessidades em matéria de recursos. Pereyra Mele assinala que “a Colômbia é um país bioceânico, é vizinho do país (Venezuela) que vende 15% do petróleo consumido pelos EUA e também do Equador, outro país petroleiro. Desde as bases navais de Málaga e Cartagena de Índias, Washington tem rápido acesso ao maior ponto de comunicação comercial do mundo, o canal do Panamá”. Na mesma direção, Gullo observa que a importância geopolítica da Colômbia para os EUA se expressa tanto no plano tático como no estratégico.
Do ponto de vista tático, ele assinala: “o complexo militar necessita criar focos bélicos para justificar a produção e renovação de material bélico. Sem tal esquema, esse aparato não tem como justificar sua existência”. E do ponto de vista estratégico, “o objetivo é conseguir a capitulação do poder nacional brasileiro; para isso, procura traçar um cerco em volta do Brasil, começando na Colômbia e com a idéia de continuar pela Bolívia e pelo Paraguai”.
Nesse marco, a América Latina é obrigar a reforçar seus acordos regionais, como Unasul, Comunidade Andina de Nações e Mercosul, para evitar fraturas e controlar as turbulências domésticas (como o golpe de Estado em Honduras), que possibilitem a expansão das forças armadas dos EUA na região. Para Pereyra Mele, “a solução ao problema colocado pela ofensiva estadunidense sobre a América do Sul passa pela defesa irrestrita das áreas por onde fluem e se conectam os três sistemas hidrográficos mais importantes: o Orinoco, a Amazônia e o Prata”.
“Para isso devem ser desenvolvidas políticas internacionais coerentes, levando em conta as limitações colocadas pela potência hegemônica. É muito importante aprofundar o Mercosul, aumentar a presença da Unasul e dos organismos de defesa regionais. É necessária a criação de um complexo industrial militar argentino-brasileiro para melhorar nossa capacidade de defesa, sem dependência externa, incorporando outros países”, conclui Pereyra Mele.
Para Marcelo Gullo, a América a conforma uma comunidade cultural única. “Lamentavelmente, do ponto de vista político, a região está dividida em duas. De um lado México, América Central e o Caribe, zona de influência exclusiva dos EUA, e de outro a América do Sul”.
A respeito dessa última reflexão, talvez pudesse se acrescentar que o ódio sistemático dos poderes estadunidenses à Revolução Cubana pode ser explicado pelo fato de esta ter sido a única experiência concreta de freio à hegemonia de Washington sobre as regiões Norte, Central e Caribenha da América Latina. Diante disso, conclui Gullo, “a responsabilidade principal é do Brasil, por ser o país com maior poder relativo da região. O problema é que a classe dirigente brasileira não compreende adequadamente que, para resistir à agressão dos EUA, precisa de sócios fortes e não fracos. Devem compreender que o importante não é sua industrialização isolada, mas sim a industrialização de toda a América do Sul”.
As mudanças de política militares que Barack Obama prometeu em sua campanha presidencial até agora não apareceram. A menos que alguém queira que o caráter identitário passa exclusivamente pela pigmentação da pele, nem que sequer podemos dizer que um afroamericano chegou à presidência. Para além do discurso, Obama solicitou ao Congresso dos EUA a aprovação de 83,4 bilhões de dólares em fundos extras para financiar as aventuras bélicas no Iraque e no Afeganistão, avança com a instalação de novas bases militares na Colômbia e manteve uma posição mais do que ambígua em relação ao golpe de Estado em Honduras.
O orçamento do Pentágono é 50 vezes superior ao total de gastos militares do conjunto de países do sistema internacional. Além disso, realiza os maiores investimentos, em nível mundial, em pesquisas militares e espaciais. Essa disponibilidade de recursos permite aos EUA agir de forma simultânea com ingerências bélicas em diferentes áreas do planeta.

Tradução: Katarina Peixoto


KIRIKU E A FEITICEIRA

Kiriku é um menino que já falava quando estava na barriga da mãe. Na verdade, foi ele quem escolheu seu próprio nome logo que nasceu. Ele está destinado a libertar uma aldeia africana de uma bruxa chamada Karaba, que secou as fontes de água e sequestra os homens do local. Kiriku vai até o sábio da montanha, conhecedor do segredo de Karaba, e em seguida parte para enfrentar a feiticeira.
Essa história faz parte da cultura popular africana e fala da determinação na luta pela liberdade. Kiriku nasce para ser livre, tanto quando ainda está na barriga da mãe ele diz:" Mãe de a luz a mim !" Segundo o diretor, Michel Ocelto, foi também uma grande oportunidade mostrar para o povo africano alguns de seus valores. O roteiro foge do óbvio, ao contrário do que acontece em outras produções do gênero. E conta ainda com uma ótima trilha sonora e personagens cativantes.

DIREÇÃO: Michel Ocelto

SURPLUS (SUPÉRFLUO)

Baseado nas ideias do polêmico filosófo John Zerzan, que legitima a "PROPERTY DAMAGE", ou atos de vandalismo contra grandes empresas multinacionais. Surplus traz uma problematização ampla das consequências e da fúria despertada pelo modelo de globalização inerte aos paradoxos sociais. Processo esse que se baseia numa intensa descarga de informações sobre o individuo, conduzindo-o a um aterrorizador processo de afirmação própria através do consumo.
Surplus que significa "supérfluo", é uma viagem pela destrutiva cultura do consumismo na era da globalização. O filme tem como ponto de partida o espanto do mundo diante da onda de protestos como os registrados em Gênova (Itália), em 2001, quando jovens saíram às ruas destruindo shoppings, carros e bancos. E investiga o porquê do estilo de vida consumista estar atiçando a ira de populações em várias partes do planeta.

DIREÇÃO: Eric Gandini


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O LABIRINTO DO FAUNO

Fazendo um paralelo entre a cruel realidade de uma guerra civil (espanhola), e o mundo imaginário de uma criança, Ofelia, de 10 anos, que muda para região norte de Navarra com sua mãe, Carmen, que acaba de se casar com um oficial fascista, que luta para eliminar as resistências locais. Solitária, a menina logo descobre, em seus passeios no jardim da imensa mansão em que moram, um labirinto que faz com que todo um mundo de fantasias se abra, trazendo consequências para todos à sua volta.
Extremamente lírico, o filme conta uma história fantasiosa que se apresenta como fuga dos horrores de uma guerra. A menina acredita em fadas e tem uma imaginação fértil. O filme sempre deixa a porta aberta para a possibilidade de tudo aquilo ser fruto de sua imaginação e de seus medos. Quando acha que foi encontrada por uma fada, vai ao encontro de um Fauno que lhe diz que ela pode ser filha de um rei do mundo interior (vejam o duplo sentido) e que precisa passar por três provas antes da lua cheia.

DIREÇÃO: Guillermo Del Toro


quarta-feira, 2 de setembro de 2009

NOTÍCIAS DE UMA GUERRA PARTICULAR

Eleito um dos melhores documentários brasileiros contemporâneos, vencedor da competição nacional do festival "É tudo Verdade". Notícias de uma guerra particular é um amplo e contundente retrato da violência no Rio de Janeiro. Flagrando o cotidiano das favelas dominadas pelo tráfico de drogas , são entrevistados todos os envolvidos no conflito entre traficantes e policiais, incluindo moradores que vivem no meio do fogo cruzado e especialistas em segurança pública. A realidade da violência é apresentada sem meio-tons e da forma mais abrangente possível, tornando patente o absurdo de uma guerra sem fim e sem vencedores possíveis.

DIREÇÃO: Kátia Lund e João Moreira Salles.

ANARQUISTAS EM SÃO PAULO


Na virada do século 20, o Brasil havia se tornado o novo lar de cerca de 1 milhão de italianos. Fugindo de uma severa crise econômica no país natal, a grande maioria chegava para tentar a sorte nas fazendas do interior paulista ou nas fábricas de São Paulo. Alguns, entretanto, atravessavam o oceano Atlântico com uma outra missão: difundir o anarquismo. Enquanto seus conterrâneos sonhavam em enriquecer, os imigrantes anarquistas queriam mesmo era derrubar o capitalismo. Como sabemos hoje, eles não conseguiram. Mas deixaram aos trabalhadores brasileiros uma lição importantíssima: sem organização e luta, ninguém conquista seus direitos.
A palavra “anarquia” vem do grego e significa, literalmente, “sem governo”. A ideia de viver sem ter que obedecer a alguém talvez seja tão antiga quanto a própria obediência. Mas foi só em meados do século 19 que o anarquismo se tornou uma corrente de pensamento. Conforme a indústria se desenvolvia na Europa, essa ideologia se espalhava entre os trabalhadores. No Brasil, a industrialização era novidade , e os anarquistas italianos queriam, desde o começo, contagiar o operariado daqui com suas ideias revolucionárias.
Um desses anarquistas foi Oreste Ristori. Ele desembarcou no porto de Santos, no litoral paulista, em 1904, depois de uma rápida passagem pela Argentina. Nascido 30 anos antes, na região da Toscana, ele passara um bom tempo nas cadeias de seu país. O motivo foi seu envolvimento com ações como o incentivo a greves e a distribuição de panfletos contra a autoridade do Estado. A vinda ao Brasil era uma ótima oportunidade para fazer tudo isso de novo.
Ristori seguia os passos de um ex-companheiro de prisão: o também anarquista Gigi Damiani, que chegara a São Paulo em 1897. Naquele início de século, vários militantes da causa já estavam estabelecidos na capital paulista. Seu principal campo de atuação eram os bairros operários, como o Brás, a Mooca e o Belém, onde viviam e trabalhavam milhares de imigrantes. Submetidos a jornadas exaustivas, que muitas vezes alcançavam 16 horas por dia, os operários da indústria paulistana formavam o público ideal para o discurso anarquista. Segundo ele, os operários de todos os países deviam lutar, juntos, contra a opressão. Trabalhar para um patrão, obedecer a um governante, confessar-se a um padre: tudo isso acabaria quando o anarquismo conquistasse sua vitória.
Os donos das grandes indústrias paulistas sabiam que, cedo ou tarde, teriam que enfrentar as greves de operários, já comuns na Europa. Antecipando-se a isso, eles passaram a dar preferência a mulheres e crianças na hora da contratação. Além de ganhar menos, eles eram considerados mais fáceis de ser controlados. Mas isso de nada adiantaria para conter o movimento que estava por vir.
Os ideais anarquistas circulavam em diversos panfletos e jornais. Muitos deles eram escritos diretamente em italiano. Esse era o caso de La Battaglia, o periódico que Oreste Ristori e Gigi Damiani fundaram, ao lado de outros anarquistas, em 1904. Impresso em São Paulo, ele muitas vezes cruzava as fronteiras do estado. Ristori costumava viajar para divulgar o La Battaglia, percorrendo o interior paulista, o sul de Minas Gerais e o Rio de Janeiro. Sua fama de grande orador precedia sua chegada. Sério, bradava contra a opressão dando baforadas no cachimbo. Mas, ao fim de cada discurso, Ristori se descontraía: arrumava um violão e abria uma roda para entoar cantos revolucionários.
Influenciados pelos italianos, os brasileiros também produziam periódicos anarquistas. Em 1905, Edgard Leuenroth botou nas ruas o jornal Terra Livre, feito em parceria com o português Neno Vasco. O editorial do primeiro número dizia: “Tomamos o nome de anarquistas libertários porque somos inimigos do Estado. Somos anarquistas porque queremos uma sociedade sem governos”.
Outro veículo importante para a propaganda anarquista eram peças de teatro, com textos vindos da Europa ou escritos aqui mesmo. A crítica social estava por todos os lados. E as peças anticlericais mostravam a Igreja defendendo os interesses do capitalismo explorador, disse o anarquista Jaime Cubero à pesquisadora Endrica Geraldo, da Universidade Estadual de Campinas, num depoimento dado em 1994. O palco preferido para essas montagens, que ocorriam semanalmente, era o Teatro Colombo, que ficava no Brás.
A disseminação das ideias anarquistas também acontecia nas salas de aula. Numa época em que o governo brasileiro mantinha pouquíssimas instituições de ensino, surgiram as chamadas Escolas Modernas. Inspiradas no método do anarquista espanhol Francisco Ferrer y Guardia, elas misturavam meninos e meninas (então uma inovação), defendiam o fim dos exames e dos castigos e, principalmente, uma educação científica, em oposição ao ensino religioso.
A primeira escola moderna de São Paulo, a Escola Nova, foi criada no Brás em 1909. Na década seguinte, outras surgiram na capital, no interior e em outros Estados. “A ignorância era vista como um dos principais inimigos dos anarquistas”, diz a historiadora Edilene Toledo, autora do livro Anarquismo e Sindicalismo Revolucionário. “Estender a ciência aos pobres significava prepará-los para construir a sociedade futura.”
Em 1905, em boa parte graças à luta dos anarquistas, foi criada a Federação Operária de São Paulo, que reunia as associações de trabalhadores da cidade. Em abril do ano seguinte, o Rio de Janeiro recebeu o 1º Congresso Operário Brasileiro, encontro que é considerado a origem do sindicalismo no Brasil. Lá foram erguidas bandeiras como o fim do trabalho infantil e a diminuição da jornada de trabalho para oito horas diárias.
Reunidos no Rio, os anarquistas tiveram oportunidade de traçar planos para o futuro. O resultado não demorou a aparecer: no dia 1º de maio de 19O7, eclodiu a primeira greve geral da história do Brasil. Os primeiros a parar foram os metalúrgicos da empresa americana Lidgerwood, que exigiam redução da jornada de trabalho. Operários de diversas áreas foram paralisando suas atividades e fazendo reivindicações semelhantes.
A reação das autoridades viria 14 dias depois, com a polícia invadindo a sede da Federação Operária. Documentos foram apreendidos e militantes que haviam participado da greve foram presos. Para punir os que eram imigrantes, o governo tinha uma nova arma: a recém-aprovada Lei Adolpho Gordo, que previa a extradição dos operários estrangeiros envolvidos com tumultos. Apenas no ano de 1907, cerca de 130 trabalhadores foram expulsos do Brasil.
A greve, que durou até meados de junho, conseguiu fazer com que muitas empresas adotassem as oito horas de trabalho. Mas a repressão fez com que anarquistas como Oreste Ristori se afastassem da militância, temendo ser presos. Foi só dez anos depois da greve geral que o Brasil voltou a ver uma manifestação operária de grandes proporções. Por causa da crise no comércio exterior causada pela Primeira Guerra, iniciada em 1914, os preços aumentavam, os alimentos sumiam das prateleiras e os salários diminuíam. Enquanto isso, os patrões voltaram a esticar as jornadas de trabalho.
Em junho de 1917, os 2 mil empregados do Cotonifício Crespi entraram em greve em São Paulo. No mês seguinte, a paralisação já havia atingido cerca de 15 mil operários, de vários setores. Em 9 de julho, os trabalhadores organizaram uma passeata. A polícia avançou sobre a multidão com seus cavalos e atirou. Antonio Martinez, um sapateiro, caiu morto. O assassinato revoltou ainda mais os trabalhadores: dias depois, o movimento se tornou uma greve geral com 45 mil pessoas paradas – praticamente todos os operários da capital paulista.
Enquanto os anarquistas de São Paulo subiam nos palanques para inflamar os grevistas, o movimento atingia o Rio de Janeiro e o Paraná. Fábricas foram invadidas e depredadas, enquanto ocorriam novos confrontos com a polícia. Ainda em julho, um acordo permitiu que os operários voltassem ao trabalho. Tiveram a garantia de que seus direitos seriam respeitados e ganharam um aumento salarial de 20%.
Depois da greve, o governo fechou de vez o cerco contra os anarquistas. Em 1918, Gigi Damiani foi expulso do país (restabelecido na Europa, dedicaria-se a publicar textos que desaconselhavam a imigração para o Brasil). Para evitar o mesmo destino, Oreste Ristori fugiu para a Argentina. Já as Escolas Modernas não escaparam: sofreram uma campanha de difamação pública e foram fechadas na virada dos anos 1920.
O ano de 1917 trouxe, além da greve, outro acontecimento que marcou o declínio do anarquismo no Brasil. Foi a Revolução Russa, que fez com que os comunistas ganhassem espaço no operariado brasileiro. Enquanto os anarquistas pregavam a abolição imediata do Estado, os comunistas defendiam que o poder não acabasse de uma hora para outra, mas passasse às mãos dos trabalhadores. A vitória de Lênin e seus camaradas parecia mostrar que esse era o melhor caminho a ser seguido.
Após chegar ao poder, na chamada Revolução de 1930, Getúlio Vargas deu o golpe de misericórdia na influência dos anarquistas. Ele decidiu não reprimir abertamente os operários, mas atraí-los para perto de si. Os sindicatos foram absorvidos pelo Estado e “amansados”: como eles agora eram órgãos oficiais, não podiam se opor ao governo. Enquanto isso, a polícia de Vargas caçava os militantes que podiam ameaçar a nova ordem. Uma das vítimas foi Oreste Ristori. De volta da Argentina, ele se opunha à aproximação entre o Brasil e a Itália do fascista Mussolini. Em abril de 1936, Ristori foi preso. Em junho, foi enviado para seu país natal – sete anos depois, seria descoberto pelos fascistas na cidade de Empoli e fuzilado.
Nos anos 1930, enquanto o anarquismo era abandonado pelos operários, os palcos do Brás ainda mostravam as peças dos militantes. Mas elas também estavam com os dias contados. Em 1937, Vargas iniciou a ditadura do Estado Novo. Uma de suas medidas foi a criação do Departamento de Imprensa e Propaganda, que, entre outras coisas, escolhia o que os teatros podiam exibir. É claro que todas as montagens anarquistas foram banidas. Naquele Brasil autoritário, o sonho libertário dos imigrantes foi deportado até da ficção.

Por: Márcio Sampaio de castro

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A IDADE MÉDIA

Introdução: A Idade Média teve início na Europa com as invasões germânicas (bárbaras), no século V, sobre o Império Romano do Ocidente. Essa época estende-se até o século XV, com a retomada comercial e o renascimento urbano. A Idade Média caracteriza-se pela economia ruralizada, enfraquecimento comercial, supremacia da Igreja Católica, sistema de produção feudal e sociedade hierarquizada.
Estrutura Política: Prevaleceu na Idade Média as relações de vassalagem e suserania. O suserano era quem dava um lote de terra ao vassalo, sendo que este último deveria prestar fidelidade e ajuda ao seu suserano. O vassalo oferecia ao senhor, ou suserano, fidelidade e trabalho, em troca de proteção e um lugar no sistema de produção. As redes de vassalagem se estendiam por várias regiões. Todo os poderes jurídico, econômico e político concentravam-se nas mãos dos senhores feudais, donos de lotes de terras (feudos).
Sociedade Medieval: A sociedade era estática (com pouca mobilidade social) e hierarquizada. A nobreza feudal (senhores feudais, cavaleiros, condes, duques, viscondes) era detentora de terras e arrecadava impostos dos camponeses. O clero (membros da Igreja Católica) tinha um grande poder, pois era responsável pela proteção espiritual da sociedade. Era isento de impostos e arrecadava o dízimo. A terceira camada da sociedade era formada pelos servos (camponeses) e pequenos artesãos. Os servos deviam pagar várias taxas e tributos aos senhores feudais, tais como: corvéia (trabalho de 3 a 4 dias nas terras do senhor feudal), talha (metade da produção), banalidades (taxas pagas pela utilização do moinho e forno do senhor feudal).
Economia Medieval: A economia feudal baseava-se principalmente na agricultura. Existiam moedas na Idade Média, porém eram pouco utilizadas. As trocas de produtos e mercadorias eram comuns na economia feudal. O feudo era a base econômica deste período, pois quem tinha a terra possuía mais poder. O artesanato também era praticado na Idade Média. A produção era baixa, pois as técnicas de trabalho agrícola eram extremamente rudimentares. O arado puxado por bois era muito utilizado na agricultura.
Religião na Idade Média: Na Idade Média, a Igreja Católica dominava o cenário religioso. Detentora do poder espiritual, a Igreja influenciava o modo de pensar, a psicologia e as formas de comportamento na Idade Média. A igreja também tinha grande poder econômico, pois possuía terras em grande quantidade e até mesmo servos trabalhando. Os monges viviam em mosteiros e eram responsáveis pela proteção espiritual da sociedade. Passavam grande parte do tempo rezando e copiando livros e a Bíblia.
Educação, cultura e arte medieval: A educação era para poucos, pois só os filhos dos nobres estudavam. Esta era marcada pela influência da Igreja, ensinando o latim, doutrinas religiosas e táticas de guerras. Grande parte da população medieval era analfabeta e não tinha acesso aos livros. A arte medieval também era fortemente marcada pela religiosidade da época. As pinturas retratavam passagens da Bíblia e ensinamentos religiosos. As pinturas medievais e os vitrais das igrejas eram formas de ensinar à população um pouco mais sobre a religião. Podemos dizer que, no geral, a cultura medieval foi fortemente influenciada pela religião. Na arquitetura destacou-se a construção de castelos, igrejas e catedrais.
As Cruzadas: No século XI, dentro do contexto histórico da expansão árabe, os muçulmanos conquistaram a cidade sagrada de Jerusalém. Diante dessa situação, o papa Urbano II convocou a Primeira Cruzada (1096), com o objetivo de expulsar os "infiéis" (árabes) da Terra Santa. Essas batalhas, entre católicos e muçulmanos, duraram cerca de dois séculos, deixando milhares de mortos e um grande rastro de destruição. Ao mesmo tempo em que eram guerras marcadas por diferenças religiosas, também possuíam um forte caráter econômico. Muitos cavaleiros cruzados, ao retornarem para a Europa, saqueavam cidades árabes e vendiam produtos nas estradas, nas chamadas feiras e rotas de comércio. De certa forma, as Cruzadas contribuíram para o renascimento urbano e comercial a partir do século XIII. Após as Cruzadas, o Mar Mediterrâneo foi aberto para os contatos comerciais.
As Guerras Medievais: A guerra na Idade Média era uma das principais formas de obter poder. Os senhores feudais envolviam-se em guerras para aumentar suas terras e o poder. Os cavaleiros formavam a base dos exércitos medievais. Corajosos, leais e equipados com escudos, elmos e espadas, representavam o que havia de mais nobre no período medieval.
Peste Negra ou Peste Bubônica: Em meados do século XIV, uma doença devastou a população européia. Historiadores calculam que aproximadamente um terço dos habitantes morreram desta doença. A Peste Negra era transmitida através da picada de pulgas de ratos doentes. Estes ratos chegavam à Europa nos porões dos navios vindos do Oriente. Como as cidades medievais não tinham condições higiênicas adequadas, os ratos se espalharam facilmente. Após o contato com a doença, a pessoa tinha poucos dias de vida. Febre, mal-estar e bulbos (bolhas) de sangue e pus espalhavam-se pelo corpo do doente, principalmente nas axilas e virilhas. Como os conhecimentos médicos eram pouco desenvolvidos, a morte era certa. Para complicar ainda mais a situação, muitos atribuíam a doença a fatores comportamentais, ambientais ou religiosos.
Revoltas Camponesas: Após a Peste Negra, a população européia diminuiu muito. Muitos senhores feudais resolveram aumentar os impostos, taxas e obrigações de trabalho dos servos sobreviventes. Muitos tiveram que trabalhar dobrado para compensar o trabalho daqueles que tinham morrido na epidemia. Em muitas regiões da Inglaterra e da França estouraram revoltas camponesas contra o aumento da exploração dos senhores feudais. Combatidas com violência por partes dos nobres, muitas foram sufocadas e outras conseguiram conquistar seus objetivos, diminuindo a exploração e trazendo conquistas para os camponeses.

FONTE: http://www.suapesquisa.com/